Marco Rubio assumiu o papel de porta-voz mais agressivo da nova ofensiva de Donald Trump contra o Brasil. Ao anunciar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o secretário de Estado acusou Lula de não negociar “de boa-fé” e afirmou que o presidente havia colocado o próprio “ego” acima dos interesses da população.
O ataque pessoal reforçou a posição de Rubio como executor e defensor público das decisões mais hostis da Casa Branca para a América Latina.
Today, President Trump directed USTR to impose a 25% tariff on most Brazilian imports. Let there be no confusion about why: President Lula and his government have not negotiated with the US in good faith.
His economic policies are bad for Americans and bad for Brazilians. For…
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) July 16, 2026
Trump não está apenas usando Rubio para conduzir sua política externa, mas também testando o republicano como possível sucessor. O comentarista conservador Glenn Beck comparou o processo a uma edição real do programa “O Aprendiz”, reality show que projetou Trump nacionalmente antes de sua entrada na política. “Acho que estamos assistindo a um ‘Aprendiz’ da vida real”, afirmou numa live.
Beck é um dos nomes mais conhecidos da mídia conservadora estadunidense. Ex-apresentador da Fox News, radialista e fundador da rede de direita TheBlaze, ele ganhou projeção durante o governo Barack Obama com programas marcados por ataques ao Partido Democrata, teorias conspiratórias e discursos inflamados. Virou amigo de Donald Trump. Hoje, mantém influência entre setores da base republicana e do MAGA.
Para sustentar sua tese, Beck destacou a quantidade de funções confiadas a Rubio desde o início do segundo governo Trump. O ex-senador assumiu o Departamento de Estado em janeiro de 2025, passou pelo comando interino da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), tornou-se arquivista interino dos EUA e, em maio daquele ano, acumulou também o posto de conselheiro de Segurança Nacional.
Rubio executou o desmonte e a extinção oficial das operações de assistência externa da USAID. Durante alguns meses, ocupou simultaneamente os quatro cargos.
“Um homem, quatro chapéus”, resumiu Beck. Segundo ele, Rubio foi colocado à frente da diplomacia, da ajuda externa, da segurança nacional e dos arquivos do governo, além de receber missões ligadas à Venezuela e participar das discussões sobre Rússia, Ucrânia e Irã. Na avaliação do comentarista, Trump estaria levando-o a conhecer diferentes áreas do Estado antes de disputar o comando do país.
Beck comparou o processo ao método que Trump teria aplicado aos próprios filhos em seus negócios. Segundo o radialista, o republicano exigia que os herdeiros conhecessem todas as funções de suas empresas, inclusive as mais básicas, antes de pensar em assumir o controle. Rubio estaria passando pela mesma formação acelerada dentro da máquina pública: diplomacia, guerra, dinheiro, segurança e administração.
I think we are watching a real-life version of The Apprentice right now with Marco Rubio.
Years ago, one of Trump’s sons told me that his dad had a strict rule for his kids: If you ever want to take over this business, you have to know EVERY SINGLE JOB. You sweep the floors, you… pic.twitter.com/hs1rkQjLY1
— Glenn Beck (@glennbeck) July 14, 2026