O PL do Ceará aprovou nesta quarta-feira (22), em convenção, o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado, formalizando uma aliança com um ex-adversário do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022.
A decisão consolidou uma disputa interna no campo conservador cearense e expôs divergências entre lideranças do PL e integrantes da família Bolsonaro, especialmente após embates públicos envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ciro agradeceu o apoio e afirmou estar “profundamente honrado” com a aliança. “Estamos talvez dando, aqui do Ceará, um exemplo para o Brasil de diminuir essa radicalização política, de confrontação ideológica para trabalharmos juntos […] para ajudar o povo a superar os seus problemas”, disse.
A convenção também aprovou o deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes, como candidato ao Senado na chapa de Ciro. A escolha deixou fora da disputa pela vaga a deputada federal Priscila Costa, que buscava concorrer ao Senado com apoio de Michelle Bolsonaro e teve a candidatura aprovada para tentar a reeleição à Câmara.
Disputa pelo Senado dividiu aliados de Bolsonaro
Ciro elogiou Alcides Fernandes, pastor da Assembleia de Deus, no mesmo vídeo em que agradeceu ao PL. “Alcides Fernandes é dessas pessoas que, quando você conhece de perto, se apaixona”, afirmou o pré-candidato ao governo.
Alcides deve enfrentar nas urnas o senador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, que tentará a reeleição na chapa do governador Elmano de Freitas (PT). Ciro e Cid estão politicamente rompidos desde 2022.
Ciro também atacou a gestão de Elmano e afirmou que o Ceará “está passando por um momento grave de violência e corrupção”. Ele disse ainda que “o governo do estado abandonou o nosso povo”.
Governador do Ceará entre 1991 e 1994, Ciro volta a disputar o cargo mais de três décadas depois em uma chapa batizada de “Unir para Mudar”, que deve reunir PSDB, PL, União Brasil e PP.
A composição ainda deve incluir o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) como candidato a vice-governador e o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) na segunda vaga ao Senado.
A aprovação do apoio ocorreu cerca de um mês depois de Michelle Bolsonaro divulgar um vídeo com críticas às articulações políticas feitas pelos filhos de Jair Bolsonaro e à aliança do PL com Ciro. No início do mês, Flávio Bolsonaro participou do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes ao Senado, sinalizando preferência pelo aliado.