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PF investiga possível saque no Palácio das Mangabeiras (MG) e Zema debocha

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PF investiga possível saque no Palácio das Mangabeiras (MG) e Zema debocha
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Romeu Zema e Mateus Simões – Foto: Reprodução

A Polícia Federal foi acionada para investigar o desaparecimento de centenas de peças do acervo do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte. A notícia-crime, protocolada pela deputada estadual Bella Gonçalves (PT), pede a apuração de possíveis crimes contra o patrimônio público e cultural e cita o ex-governador Romeu Zema (Novo) e o atual governador Mateus Simões (PSD).

A denúncia foi apresentada com base em inspeções e investigações conduzidas pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que aponta a falta de um inventário público e o desaparecimento de obras de arte, móveis históricos, pratarias, louças e livros que pertenciam à antiga residência oficial dos governadores mineiros.

Apesar de parte do acervo ter sido localizada — entre elas um biombo de Emiliano Di Cavalcanti, hoje exposto no Palácio da Liberdade, e livros transferidos para a Biblioteca Pública Estadual — o governo de Minas Gerais ainda não apresentou um inventário público detalhado das pelo menos 294 peças retiradas do Palácio das Mangabeiras.

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Biombo de Di Cavalcanti, localizado no salão do torreão esquerdo do Palácio da Liberdade. — Foto: Fernanda Torquato/g1

Questionado sobre o paradeiro dos bens, o governo informou que o documento existe, mas seu acesso é restrito a servidores autorizados.

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) confirmou que recebeu a representação e analisa se abrirá um processo para investigar o caso.

Fiscalização encontrou apenas cinco móveis originais

Projetado por Oscar Niemeyer, o Palácio das Mangabeiras deixou de ser residência oficial em 2019, após decisão do então governador Romeu Zema. Desde então, o imóvel passou a ser administrado pela Codemge e a receber eventos privados, como a CasaCor.

Durante uma vistoria realizada em julho de 2026, deputados estaduais encontraram apenas cinco peças do mobiliário original: uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano. O restante do acervo não foi localizado.

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Edições históricas de “Os Lusíadas”, de Luís da Camões, datada de 1880, e de “I tesori d’arte dell’Italia”, de Fratelli Treves, de 1903. — Foto: Fernanda Torquato/g1

Secretário relata danos a obras de Di Cavalcanti e Tarsila

A denúncia também reproduz declarações do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. Em audiência na Assembleia Legislativa, ele afirmou que encontrou, em 2020, 44 obras de arte armazenadas de forma inadequada pela Polícia Militar, cobertas apenas por tecidos.

Segundo o secretário, um biombo de quatro metros de Emiliano Di Cavalcanti sofreu danos durante o armazenamento, e outras obras de artistas como Tarsila do Amaral também apresentaram problemas de conservação.

Denúncia pede investigação da Polícia Federal

A notícia-crime sustenta que a Polícia Federal deve assumir o caso porque o Palácio das Mangabeiras integra o conjunto paisagístico da Serra do Curral, tombado pelo IPHAN, o que caracteriza interesse da União na preservação do patrimônio cultural.

O documento pede a abertura de investigação por possíveis crimes como peculato e dano ao patrimônio público, além da realização de perícias técnicas nas obras e da oitiva de Leônidas Oliveira, dirigentes da Codemge e oficiais da Polícia Militar.

Zema reage e evita responder sobre o acervo

Ao comentar as denúncias, Romeu Zema não respondeu às acusações sobre o desaparecimento das peças do Palácio das Mangabeiras. Em vez disso, afirmou que economizou dinheiro público ao decidir não morar na residência oficial.

O ex-governador também criticou governos anteriores, dizendo que o Palácio mantinha “32 empregadas, mordomos e governantas”, além de despesas com “lagosta” e “vinho do mais caro”. Zema ainda acusou seu antecessor, Fernando Pimentel (PT), de utilizar helicóptero diariamente para deslocamentos.

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