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PF Investiga Ligação entre Chefe de Tráfico no CV e Ex-Secretário do RJ

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

A Polícia Federal interceptou mensagens que passaram a integrar uma investigação sobre supostos contatos entre integrantes do Comando Vermelho e aliados políticos ligados ao governo do Rio de Janeiro. Os diálogos citam o ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca (PL), indicado ao cargo pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo informações divulgadas inicialmente pelo portal Poder360 e pelo Metrópoles, as conversas teriam sido trocadas entre maio e agosto de 2025 por Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado pelas autoridades como um dos chefes da facção criminosa Comando Vermelho.

As mensagens passaram a ser analisadas no âmbito de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre possíveis relações entre integrantes da organização criminosa e agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.

De acordo com a investigação, diálogos atribuídos ao traficante mencionam supostos encontros com Gutemberg Fonseca e tratativas envolvendo interesses políticos e administrativos.

As conversas também indicariam a atuação de um assessor ligado ao ex-deputado TH Joias como possível intermediador entre integrantes da facção e o então secretário estadual.

Segundo os registros obtidos pelos investigadores, criminosos chegaram a comentar sobre indicações para cargos públicos dentro da estrutura estadual.

Um dos nomes citados nos diálogos é o de Marcos José Menezes, ex-servidor da Prefeitura do Rio e coordenador de campanha de Gutemberg Fonseca.

A investigação apura se houve tentativa de influência política e troca de favores envolvendo integrantes da facção criminosa.

Ex-subsecretário também aparece na investigação

Outro nome citado no inquérito é o do advogado Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário estadual de Defesa do Consumidor e ex-secretário estadual de Esportes.

Carracena está preso desde setembro de 2025 sob suspeita de receber propina do Comando Vermelho, segundo investigação da Polícia Federal.

Mensagens analisadas pelos investigadores apontariam contato direto entre ele e “Índio do Lixão”. Em um dos diálogos, o traficante teria enviado um vídeo institucional de Gutemberg Fonseca ao ex-subsecretário.

Segundo a apuração, o criminoso também afirmou que uma reunião envolvendo a Secretaria de Defesa do Consumidor e a concessionária Enel teria ocorrido graças à sua influência.

Os investigadores analisam o alcance da suposta rede de influência dentro da estrutura pública estadual.

Gutemberg nega ligação com traficante

Ao Metrópoles, Gutemberg Fonseca negou qualquer relação com Gabriel Dias de Oliveira e afirmou desconhecer o motivo de ter sido citado nas mensagens interceptadas pela Polícia Federal.

“Se tivesse alguma coisa, a Polícia Federal teria me indiciado”, declarou o ex-secretário à publicação.

Até o momento, conforme apuração divulgada, Gutemberg Fonseca não foi indiciado pela Polícia Federal.

A reportagem também não localizou a defesa dos demais citados nas investigações. O espaço permanece aberto para manifestações.

Investigações ampliam pressão política no Rio

O caso aumentou a repercussão política no Rio de Janeiro por envolver nomes ligados ao governo estadual e ao senador Flávio Bolsonaro.

As investigações ocorrem em meio ao avanço de operações federais contra organizações criminosas e possíveis conexões políticas no estado.

No Rio de Janeiro, autoridades federais têm ampliado o monitoramento de grupos criminosos acusados de atuar em esquemas de influência política, contratos públicos e indicações dentro da administração estadual.

A Polícia Federal segue analisando o conteúdo completo das mensagens interceptadas.

O caso também repercute nacionalmente devido ao envolvimento de nomes ligados ao cenário político fluminense e à gravidade das suspeitas investigadas.

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