Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, registram R$ 29,3 milhões associados a candidatos e agentes políticos. Os documentos foram encontrados durante sua prisão, em fevereiro, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

O material integra a Operação Unha e Carne, que investiga a infiltração de organizações criminosas no poder público fluminense. Adilsinho é apontado pela PF como integrante da cúpula do jogo do bicho e chefe de um esquema de fabricação e distribuição clandestina de cigarros.

Uma das planilhas reúne nomes de políticos acompanhados de valores individualizados que somam R$ 21,9 milhões. A identidade dos citados nesse documento não foi divulgada na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Outras duas planilhas registram R$ 7,4 milhões em movimentações suspeitas, sendo R$ 6,3 milhões em espécie e pouco mais de R$ 1 milhão em transações bancárias. A PF classifica os documentos como parte de uma possível “contabilidade paralela”.

Os investigadores pretendem cruzar os nomes e valores com dados bancários, fiscais, eleitorais, notas fiscais e prestações de contas de campanhas. A hipótese é que a organização criminosa tenha financiado candidatos que posteriormente atuariam em defesa dos interesses do grupo nos poderes Executivo e Legislativo.

A defesa de Adilsinho nega que ele tenha produzido as planilhas e afirma que o bicheiro desconhece a origem e o conteúdo dos documentos. Também sustenta que ele nunca realizou pagamentos a agentes públicos ou políticos.