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“Polícia Federal Desvenda Ligação entre Castro e Vorcaro em Aportes Bilionários no Master”

Expresso Rio
Castro caminha em sua residência, em meio à operação da PF/Foto: Reprodução de TV

A Polícia Federal afirmou que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o banqueiro Daniel Vorcaro mantinham um relacionamento considerado “estreito” pelos investigadores durante o período em que a Rioprevidência realizou aportes bilionários no Banco Master. Segundo informações da investigação, os encontros entre ambos teriam ocorrido em meio às operações financeiras que hoje são alvo da Operação Barco de Papel.

De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicariam que a liberação de investimentos dependia de alinhamentos políticos junto ao então chefe do Executivo fluminense.

Segundo a PF, os investigadores identificaram um possível “sincronismo” entre reuniões privadas e investimentos posteriores da Rioprevidência ligados ao Banco Master.

Conforme apuração da Polícia Federal, Cláudio Castro e Daniel Vorcaro teriam mantido encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e viagens internacionais custeadas pelo banqueiro.

A investigação sustenta que esses encontros ocorreram em períodos coincidentes com aportes realizados pelo fundo previdenciário estadual. Segundo os investigadores, as mensagens apreendidas reforçariam a hipótese de alinhamento político para viabilizar os investimentos.

A nova fase da Operação Barco de Papel cumpriu dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília. A defesa de Cláudio Castro informou, por meio do advogado Carlo Luchione, que acompanhava as diligências, mas que ainda não havia tido acesso integral à decisão judicial.

O caso amplia a pressão política sobre setores ligados ao governo estadual e também reacende debates sobre a fiscalização de fundos públicos de previdência.

Segundo investigação da PF, a primeira fase da apuração identificou aproximadamente R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024.

Agora, os investigadores analisam ainda outros R$ 2,01 bilhões destinados a fundos ligados à instituição financeira a partir de julho do ano passado.

Os recursos investigados saíram principalmente da Rioprevidência, órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil beneficiários estaduais, além de recursos relacionados à Cedae.

Segundo a PF, há suspeitas envolvendo pagamento de propina a agentes públicos, criação de fundos considerados fictícios e utilização de estruturas financeiras para ocultação da origem de recursos.

O ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, preso desde fevereiro, também foi alvo das buscas realizadas nesta terça-feira. Segundo investigação, os aportes no Banco Master ocorreram durante sua gestão à frente do órgão estadual.

De acordo com os investigadores, Deivis teria sido indicado ao cargo por Cláudio Castro.

O Banco Master acabou sendo liquidado após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro em meio a suspeitas de fraudes financeiras investigadas pelas autoridades.

No mês passado, o Ministério Público do Rio de Janeiro ingressou com ação civil pública cobrando de dirigentes da Rioprevidência o ressarcimento de um suposto rombo estimado em R$ 1 bilhão relacionado aos investimentos ligados ao banco.

O avanço das investigações também gera repercussão em outros fundos previdenciários do estado e municípios, incluindo casos que vêm sendo debatidos em Campos dos Goytacazes e no Norte Fluminense envolvendo aplicações financeiras de recursos públicos.

Nos bastidores políticos do Rio de Janeiro, o caso é tratado como uma das investigações mais sensíveis envolvendo recursos previdenciários estaduais nos últimos anos.

 

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