O governo do Paraguai afirmou nesta sexta-feira (31) que não pretende aprofundar a tensão diplomática com o Brasil após receber explicações do embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, sobre declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da Guerra da Tríplice Aliança.
O vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, disse que o embaixador informou às autoridades locais que as declarações de Lula foram retiradas de contexto e não tiveram a intenção de ofender a população do país vizinho. “Nunca foi a intenção do presidente Lula realmente ressentir ou insultar o Paraguai com essas declarações”, afirmou Alliana em coletiva de imprensa.
O encontro ocorreu na sede da chancelaria paraguaia, em Assunção, um dia depois de o governo do país convocar Marcondes para prestar esclarecimentos. A convocação ocorreu após a repercussão das falas de Lula sobre o conflito que opôs Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai no século 19.
Rubén Ramírez Lezcano, ministro das Relações Exteriores do Paraguai, afirmou ter recebido a explicação apresentada pela diplomacia brasileira. Para o chanceler, o esclarecimento de que Lula não pretendia atingir o povo paraguaio encaminhou o episódio sem necessidade de uma escalada bilateral.
A crise começou após um discurso de Lula em Jacareí, no interior de São Paulo, em 24 de julho. Ao defender investimentos em defesa, o presidente afirmou que o Brasil busca a paz, mas citou o início da guerra no século 19.
❗️🇧🇷🇺🇸Lula destaca necessidade de proteção das fronteiras e cita ”LOUCOS” que querem fazer guerra
”A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia, o Paraguai invadiu o Brasil. (…) E aquela guerra que parecia que era nada, durou cinco anos”, afirmou. pic.twitter.com/FebjhOuY3n
— RT Brasil (@rtnoticias_br) July 24, 2026
Congresso paraguaio entregou nota de repúdio ao Brasil
Durante a reunião, autoridades paraguaias entregaram formalmente uma nota de repúdio aprovada pelo Congresso do país ao representante brasileiro. O documento expressa a reação parlamentar às declarações que provocaram críticas no Paraguai.
Alliana também citou o cenário eleitoral brasileiro ao explicar a decisão de não ampliar o conflito diplomático. “Vocês sabem que também estão em plena campanha eleitoral lá [no Brasil] e o que menos queremos é que acreditem que queremos nos imiscuir nessas eleições”, declarou.
A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, ocorreu entre 1864 e 1870. O confronto deixou efeitos duradouros no país e dizimou cerca de 70% da população paraguaia, segundo estimativas históricas frequentemente citadas sobre o período.
Até a última atualização, o governo brasileiro e o Itamaraty não haviam se manifestado publicamente sobre a reunião em Assunção nem sobre a nota de repúdio entregue pelas autoridades paraguaias.