Vou começar com uma frase contestável, no mínimo, pela qual me responsabilizo completamente: a atriz Erika Januza e o sambista Arlindinho vão reatar o relacionamento, e não precisa ser nenhuma Marcia Sensitiva pra afirmar isso.
A cantora Iza, por exemplo, retomou o relacionamento com Yuri Lima, pai de sua filha, depois de uma traição amplamente explorada pela mídia, com direito a pronunciamentos nas redes sociais, lágrimas e dezenas de reportagens.
O que eu tenho a ver com a vida íntima dos outros?
Absolutamente nada.
O problema é que ela deixou de ser íntima. É empurrada diariamente para o público em uma mercantilização da vida privada que encontra nas redes sociais seu ambiente ideal.
Érika Januza ACABANDO com o Arlindinho Cruz ao vivo. #SaiaJusta pic.twitter.com/SAx2X0xXxH
— acerv (@editsacervo) July 30, 2026
É sempre assim: a mulher é traída, usa a imagem de injustiçada pra dar um up na fama (e frequentemente na própria carreira), espera a poeira baixar e volta pro Jurandir.
Foi assim com Iza, Luíza Sonza, Bruna Biancardi – que já pode pedir música no Fantástico -, até com Preta Gil, e está sendo com Erika Januza.
Todas elas transformaram chifre em grana. Não estão erradas, mas é importante perguntar: por que traição dá tanto engajamento?
Porque vivemos na sociedade da transparência, em que tudo precisa ser exaustivamente mostrado em um ser-visto-ininterrupto.
Em outras palavras: pessoas que prezam pela fama precisam frequentemente vender suas vidas íntimas, se expor, usar uma coleira com o nome do namorado (alô, Virgínia) e criar polêmicas em torno de si mesmas.
Tudo pelo hype.
Outra pergunta impera diante do absurdo: é mesmo necessário expor uma traição na mídia sempre? O fato de serem famosas lhes obriga a se humilharem nas redes sociais, sendo acolhidas apenas pelas “sororosas”, e ridicularizadas por todo o resto?
E por que os homens não precisam disso? Estão sempre ocupados demais com suas carreiras para posarem de cornos por quinze minutos de fama? Não precisam porque a mídia não lhes confere um lugar de vítima, é sempre um lugar de força.
A mulher traída é abraçada por outras mulheres que fazem parte da novela: comentam posts de superação e choram na TV.
Uma sororidade que, perdoem, nunca foi tão falsa, porquanto usada, hoje, só em nome dos likes.
O CHICO TRAIU A LUISA SONZA
A LUISA SONZA FOI NA ANA MARIA BRAGA TERMINAR
É O EVENTO DO DIA
nada mais importa
🎥 Globopic.twitter.com/yWtTIKluC4
— Goleada da Zoeira (@goleadadazoeira) September 20, 2023
Se essas mulheres tivessem real sororidade, em vez de participarem do circo, pegariam a coleguinha pelo braço e diriam: amiga, pare.
Ver repercutirem as traições a mulheres mais do que suas carreiras, seus trabalhos artísticos, é triste para qualquer um que preze pela arte (e não pela fama).
Ninguém escolhe ser traída – só às vezes – mas elas escolhem surfar na crista da onda e lucrar com a espetacularização de suas vidas, valendo-se quase sempre da posição de vítima para enfim serem vistas.
É triste, mas rentável. Eu só queria que meu par de chifres valesse dinheiro.