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Novo Estudo Revela Mudanças na Percepção Ideológica dos Brasileiros

Expresso Rio

De acordo com uma recente pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada em 3 de junho, houve uma mudança significativa na matriz ideológica dos brasileiros. Atualmente, 44% da população com 16 anos ou mais se identifica com posições de direita ou centro-direita, enquanto 39% são classificados como de esquerda ou centro-esquerda. Isso representa uma inversão em relação ao cenário de 2022, quando a esquerda liderava com 49% e a direita tinha 34%. Essa diferença de cinco pontos percentuais é maior do que a margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.

A principal mudança observada ocorreu nas questões relacionadas ao comportamento, e não à economia. Nesse eixo, a direita agora reúne 52% dos entrevistados, enquanto a esquerda tem 29% e o centro, 20%. Em 2022, direita e esquerda estavam praticamente empatadas nesse segmento. Os temas avaliados incluem segurança pública, porte de armas, pobreza, religião, criminalidade e homossexualidade.

Uma das principais mudanças foi registrada na percepção sobre a pobreza. O percentual de brasileiros que atribuem a pobreza à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” aumentou de 22% para 40%. Já aqueles que associam a pobreza à falta de oportunidades iguais caíram de 76% para 58%, embora essa ainda seja a posição predominante.

Também houve um aumento no apoio ao direito de possuir armas legalizadas, passando de 35% para 41%, enquanto a parcela favorável à proibição da posse de armas caiu de 63% para 55%. Além disso, reduziu-se o percentual de pessoas que afirmam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade, de 79% para 72%.

Outro dado apontado pelo levantamento mostra um aumento na fatia dos entrevistados que defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos, passando de 65% para 70%.

No entanto, apesar da mudança nas pautas de comportamento, as posições identificadas com a esquerda continuam predominando nas questões econômicas. Nesse eixo, 46% dos entrevistados foram classificados à esquerda, contra 28% à direita e 26% ao centro.

A pesquisa também aponta opiniões divididas. Enquanto 65% afirmam que depender menos do governo melhora a vida das pessoas, 71% consideram que o Estado deve ser o principal responsável pelos investimentos e pelo crescimento da economia. Além disso, 56% defendem a manutenção ou ampliação da proteção oferecida pelas leis trabalhistas.

O levantamento também revela diferenças importantes entre grupos da população. Entre os homens, metade dos entrevistados (50%) foi classificada à direita, enquanto 33% aparecem à esquerda. Entre as mulheres, ocorre o movimento inverso: 44% estão à esquerda e 37% à direita.

O recorte religioso mostra predominância da direita entre os evangélicos, grupo em que 52% foram classificados nesse campo ideológico, contra 30% à esquerda. Já entre os católicos, há empate técnico entre direita (43%) e esquerda (39%), considerando a margem de erro específica desse segmento.

A classificação ideológica foi baseada em uma matriz construída a partir de respostas sobre 16 temas relacionados a comportamento e economia. As respostas são combinadas para posicionar os entrevistados entre direita, centro e esquerda. A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

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