A carta em que Jair Bolsonaro chama Flávio Bolsonaro de “meu porta-voz” não nasceu de uma articulação do próprio senador. Aliados do Zero Um já vinham sugerindo que ele pedisse ao pai um manuscrito para tentar reunir a direita e conter as crises que atingem sua pré-campanha, segundo informações da coluna do Lauro Jardim, do Globo.
A revelação acrescenta mais uma camada de constrangimento à operação. Flávio Bolsonaro não conseguiu organizar sozinho uma reação ao racha com Michelle Bolsonaro e nem construir uma demonstração própria de autoridade.
A sequência revela uma articulação inteiramente conduzida por terceiros: os aliados sugeriram a iniciativa, Jair Bolsonaro redigiu a mensagem e Flávio Bolsonaro limitou-se a apresentá-la publicamente. Mais uma vez, o senador aparece como transmissor de uma decisão tomada por quem ainda exerce o comando efetivo do grupo.
A operação também expõe sua dificuldade de construir uma resposta política própria. Para tentar conter o desgaste e reforçar sua posição, Flávio Bolsonaro dependeu da intervenção de aliados e da chancela direta do pai, em vez de demonstrar capacidade autônoma de articulação.
A carta pretendia projetar unidade e liderança, mas acabou reforçando a percepção de fragilidade. Até a estratégia para consolidar Flávio Bolsonaro como principal nome do bolsonarismo precisou ser concebida por outros e validada por Jair Bolsonaro.
Brasília, 11/Jul/26
CARTA AOS BRASILEIROS
“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso… pic.twitter.com/5WM7FCjXr4
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 11, 2026