Valdemar Costa Neto afirmou que está disposto a conversar com Flávio Dino para explicar sua atuação na indicação de emendas parlamentares. Alvo de um bloqueio de R$ 119 milhões determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, o presidente do PL tenta sustentar que apenas apresentou sugestões a deputados, sem impor destinos nem controlar uma cota própria.
A defesa desloca o centro da investigação. Valdemar admite que indicava municípios e projetos aos parlamentares, mas afirma que as emendas eram “sérias”, foram executadas e não beneficiaram entidades suspeitas. A Polícia Federal, porém, investiga se servidores da Câmara montaram um arranjo informal para encaminhar 21 emendas atribuídas, na prática, ao dirigente, que não exerce mandato.
Durante a entrevista à CNN, Valdemar defendeu que políticos influentes deveriam ser chamados para prestar esclarecimentos antes de operações. Citou Ciro Nogueira e Jaques Wagner e argumentou que ambos “representam muita gente”. “Se está errado, toca o chumbo. Se não está errado, está tudo bem”, afirmou.
Valdemar fala sobre investigação de emendas; assista #AgoraCNN pic.twitter.com/MzYQYqiOPN
— CNN Brasil (@CNNBrasil) July 11, 2026
Não há exatamente uma mudança de discurso nesse ponto. Dias antes de ser atingido pela decisão, Valdemar já havia classificado como “exageradas” as operações contra Ciro e Jaques Wagner e dito que a PF poderia tê-los ouvido sem promover um “carnaval”.
O problema está no princípio defendido por ele: caciques partidários mereceriam uma espécie de audiência prévia por representarem deputados, partidos e aliados. É uma concepção conveniente de Justiça, na qual o peso político do investigado funcionaria como argumento para poupá-lo de medidas normalmente aplicadas a qualquer outro cidadão.
Valdemar também revelou que Hugo Motta telefonou preocupado com o caso e afirmou esperar alguma reação de Davi Alcolumbre no Senado. A declaração mostra que sua defesa não se limita ao campo jurídico: o dirigente busca transformar a investigação em uma crise entre o Congresso e o Supremo.