O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a impugnação da candidatura de Ney Santos (Republicanos), ex-prefeito de Embu das Artes, a deputado federal nas eleições de 2026. A Procuradoria aponta suspeitas de envolvimento do político com o PCC e sustenta que o registro não atende às exigências para a disputa. Com informações de UOL.
O procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt afirmou, na petição, que há “sólidos elementos de convicção” sobre a participação de Santos em atividades ilícitas ligadas ao crime organizado. O pedido cita um “extenso histórico criminal” e defende a atuação da Justiça Eleitoral para preservar a “soberania popular e a higidez democrática”.
A Procuradoria informou que Santos responde como réu em ação penal por comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele ainda não recebeu condenação nesse processo, mas o MPE considera que os elementos reunidos no inquérito sustentam o indeferimento do registro.
“A manutenção de candidatura vinculada a estruturas do crime organizado representa flagrante violação dos vetores constitucionais da moralidade e da probidade administrativa para o exercício do mandato”, diz a petição. Taubemblatt também argumentou que indícios robustos de vínculo com facções, milícias ou organizações paramilitares podem impedir uma candidatura mesmo sem condenação definitiva.
Defesa chama acusações de “factoides requentados”
Os advogados de Ney Santos classificaram as acusações como “factoides requentados”. Em nota, a defesa declarou que o ex-prefeito passou por investigações durante 16 anos e que nenhuma delas apresentou “nenhum indício de prova que o ligasse a qualquer organização criminosa ou à prática delitiva”.
A equipe jurídica afirmou que o pedido de registro preenche integralmente os requisitos legais e contestou a iniciativa da Procuradoria. Os advogados disseram que uma arguição de inelegibilidade ou impugnação apresentada de forma temerária ou com manifesta má-fé pode configurar crime.
O pedido do MPE também menciona condenação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por financiamento ilegal de campanha nas eleições de 2016. A decisão tornou Santos inelegível por oito anos, segundo a Procuradoria, que citou ainda condenações por porte ilegal de arma e crimes econômicos.
Além das questões criminais, a Procuradoria apontou documentação incompleta no pedido de registro de candidatura. O TRE-SP decidirá se acolhe a impugnação e rejeita a candidatura ou se autoriza Ney Santos a concorrer ao cargo de deputado federal.



