O Ministério Público da Bolívia emitiu, nesta quarta-feira (30), um mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, acusado de liderar os protestos e bloqueios de rodovias que paralisaram diversas regiões do país entre os meses de maio e junho deste ano.
Além de Morales, dirigentes sindicais e representantes de uma federação camponesa boliviana também foram denunciados no mesmo processo. As investigações apontam que os bloqueios tiveram impacto direto sobre o abastecimento de alimentos e combustíveis, agravando a crise econômica enfrentada pelo país.
A ordem de prisão representa mais um capítulo da disputa política entre o ex-presidente e o governo de Rodrigo Paz, em meio a um cenário de forte instabilidade social e econômica.
Ex-presidente responde por cinco acusações
Segundo o Ministério Público boliviano, Evo Morales é investigado por uma série de crimes relacionados aos protestos realizados nos últimos meses.
As acusações incluem insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, atentado contra a segurança dos meios de transporte e dos serviços, associação criminosa e instigação pública à prática de crimes.
De acordo com a denúncia, Morales teria exercido papel de liderança nas mobilizações que resultaram em bloqueios de importantes rodovias do país, comprometendo a circulação de mercadorias e afetando serviços essenciais.
As mesmas acusações também alcançam outros líderes ligados ao movimento sindical e ao setor camponês, considerados pelas autoridades como articuladores das manifestações.
Evo Morales denuncia perseguição política
Após a divulgação do mandado de prisão, Evo Morales reagiu afirmando que as acusações têm motivação política e fazem parte de uma estratégia do governo para responsabilizá-lo pela crise enfrentada pela Bolívia.
Em manifestação pública, o ex-presidente declarou:
“Buscam responsabilizar-nos pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social, fruto de um modelo que abandonou o povo e protege a corrupção […] Não nos intimidarão. Continuaremos lutando junto ao povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: o da dignidade, da soberania, da justiça social e da recuperação da esperança para todas e todos”, disse Morales.
O ex-presidente nega envolvimento em atos criminosos e sustenta que as mobilizações refletem o descontentamento popular diante da situação econômica do país.
Bloqueios provocaram desabastecimento
Os protestos ocorreram entre maio e junho e envolveram trabalhadores rurais e integrantes da Central Operária Boliviana (COB), principal organização sindical do país.
Durante semanas, manifestantes bloquearam rodovias em diferentes regiões como forma de pressionar o governo de Rodrigo Paz contra reformas propostas pela administração e em defesa de reivindicações trabalhistas e sociais.
As interrupções nas estradas comprometeram o transporte de mercadorias, provocando dificuldades no abastecimento de alimentos, combustíveis e outros produtos essenciais em diversas cidades bolivianas.
O prolongamento das manifestações aumentou a pressão sobre o governo e aprofundou os efeitos da crise econômica.
Acordo encerrou parte das manifestações
No fim de junho, o governo de Rodrigo Paz chegou a um acordo com a Central Operária Boliviana, encerrando parte significativa das mobilizações.
Poucos dias depois, Evo Morales anunciou a suspensão dos bloqueios de rodovias que ainda permaneciam ativos.
Mesmo após o fim das manifestações, o governo boliviano decretou estado de emergência, ampliando seus poderes para conter novos protestos e restabelecer a normalidade no país.
Agora, com a emissão do mandado de prisão, a crise ganha um novo componente judicial e político, aumentando a tensão entre o governo atual e os setores ligados ao ex-presidente.