A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram 17 dias sem aparecer juntos em eventos públicos após anunciarem uma reconciliação. Segundo a coluna de Lauro Jardim, de O Globo., a reaproximação não se traduziu, até agora, em agenda conjunta entre os dois.
Michelle anunciou que havia aceitado o pedido de desculpas do enteado e indicou que os dois ainda teriam uma conversa para acertar a relação. “Aceito seu pedido, eu te desculpo. Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes”, afirmou. Flávio é candidato do PL à Presidência, enquanto a ex-primeira-dama mantém influência no partido e entre o eleitorado bolsonarista.
A crise entre os dois havia explodido publicamente em junho. Michelle afirmou que Flávio foi “ríspido”, a “desrespeitou” e a “maltratou” por telefone após divergências sobre a articulação do PL no Ceará. Segundo ela, o senador disse que seria melhor que ficasse fora das decisões partidárias porque havia “chegado ontem” e “não entendia nada de política”. Michelle classificou o episódio como uma “punhalada” e afirmou que integrantes do grupo do enteado a tratavam “como idiota”.
O confronto havia começado quando Michelle criticou a aproximação do PL cearense com Ciro Gomes. Flávio respondeu publicamente que ela havia “atropelado” Jair Bolsonaro ao interferir na negociação, enquanto outros filhos do ex-presidente também a criticaram. Após Michelle expor a conversa entre os dois, Flávio negou ter tido intenção de ofendê-la e pediu desculpas caso ela tivesse se sentido desrespeitada.
A tentativa de pacificação ganhou força em julho, quando Flávio renovou o pedido de desculpas e elogiou o trabalho de Michelle no PL Mulher. Ela respondeu publicamente que o perdoava e propôs uma conversa para “ajustar os detalhes” da relação.
Desde então, porém, os dois não foram vistos juntos em cerimônias públicas. A ausência de uma agenda compartilhada mantém dúvidas sobre o alcance da reconciliação em meio à campanha presidencial de Flávio.