O mercado financeiro voltou a reduzir a projeção para a inflação oficial do Brasil em 2026, mas ainda espera que o índice encerre o ano acima do limite estabelecido pelo sistema de metas do Banco Central. Os dados constam na edição mais recente do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira (27), que reúne as expectativas de economistas de instituições financeiras consultadas pela autoridade monetária.
Segundo o levantamento, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou para 5,12%, marcando a quarta queda consecutiva nas projeções. Apesar da melhora nas expectativas, o percentual permanece acima do teto da meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%.
O boletim também manteve inalterada a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano e não trouxe mudanças para a estimativa do dólar em 2026.
Embora os economistas tenham reduzido novamente a expectativa para o IPCA, o índice projetado ainda supera o intervalo de tolerância definido pelo regime de metas de inflação.
Para 2026, o objetivo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, a inflação será considerada dentro da meta caso fique entre 1,5% e 4,5%.
A projeção de 5,12% indica que o mercado continua enxergando dificuldades para que o Banco Central consiga trazer a inflação para o intervalo considerado adequado ao longo do ano.
Os números atuais também refletem o comportamento recente dos preços. Em junho, o IPCA registrou alta de 0,16%, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,64%, acima do teto da meta vigente.
No acumulado de 2025, a inflação soma 4,26%, percentual superior ao centro da meta, mas ainda dentro da faixa de tolerância.
PIB permanece estável nas projeções
As expectativas para o desempenho da economia brasileira permaneceram inalteradas nesta edição do Focus.
Os analistas mantiveram em 1,99% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, sinalizando que o mercado continua prevendo uma expansão moderada da atividade econômica.
A manutenção da estimativa ocorre em um cenário marcado por juros elevados, desaceleração gradual da economia e incertezas relacionadas ao ambiente internacional.
Apesar disso, o mercado não revisou suas previsões para baixo nesta semana.
Juros continuam no centro da estratégia do Banco Central
O controle da inflação segue sendo o principal desafio da política monetária brasileira.
Para conter a alta dos preços, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal instrumento. A taxa básica de juros serve de referência para as operações financeiras no país, influencia o custo do , o consumo das famílias, os investimentos das empresas e a rentabilidade dos títulos públicos negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
A manutenção dos juros em níveis elevados tem como objetivo reduzir a pressão inflacionária, ainda que isso contribua para um ritmo mais lento de crescimento da economia.
Mercado mantém projeções para o dólar
As expectativas para a cotação da moeda dos EUA sofreram poucas alterações.
Para 2026, os economistas mantiveram a previsão do dólar em R$ 5,20.
Já para 2027, a estimativa foi ajustada de R$ 5,28 para R$ 5,29.
No horizonte de 2028, a expectativa permaneceu estável, com a moeda norte-americana cotada em R$ 5,30.
O Relatório Focus é elaborado semanalmente pelo Banco Central com base nas projeções enviadas por instituições financeiras até a sexta-feira anterior à divulgação e é considerado um dos principais indicadores das expectativas do mercado para inflação, crescimento econômico, juros e câmbio.