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Em Últimas Notícias, armínio Fraga encarna o Dr. Doom picareta

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Em Últimas Notícias, armínio Fraga encarna o Dr. Doom picareta

Armínio Fraga e as Páginas Amarelas de Veja combinam à perfeição. O primeiro, oráculo da ortodoxia e da austeridade que seduzem a elite brasileira; as segundas, palco reluzente, que se pretende sagrado, de algumas das maiores manifestações reacionárias da História do Brasil. Pois o economista voltou às Amarelas na sexta-feira (24) para encarnar o Dr. Doom picareta, prevendo uma catástrofe socioeconômica em 2027. O apelido foi dado originalmente ao economista Nouriel Roubini, que anteviu a hecatombe financeira de 2008. A diferença é que o turco-americano foi realista, enquanto sua cópia brasileira é ficcionista.

Armínio, o mesmo dos juros a 45% quando presidia o Banco Central, disse a Veja que uma recessão no ano que vem é provável. “Preservem o caixa e não peguem empréstimos”, recomendou aos brasileiros. Pau nos gastos públicos, como de hábito, não faltou, na forma de uma indagação: “Há quem diga que o Brasil já tem austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez o gasto público sair de um quarto do PIB para um terço nos últimos 40 anos?”.

“A situação fiscal é bastante grave. Embora o governo tenha criado o arcabouço fiscal, chutou o pau da barraca logo de cara, e os resultados estão aí, na forma de juros altos”, disse o banqueiro, dono da Gávea Investimentos. Claro, o oráculo não poderia esquecer da comparação com o período da presidenta criminosamente afastada: “Há uma certa semelhança com o governo de Dilma Rousseff, quando foi feito um grande esforço para vencer a eleição, estourando as contas de uma maneira espetacular”.

Críticas públicas contundentes de ex-gestores do Banco Central servem para constranger o governo e pressionar o Ministério da Fazenda por cortes de gastos adicionais. Ao alertar para uma crise fiscal similar à do governo Dilma, Armínio busca deslegitimar políticas de estímulo estatal e gastos públicos, defendendo o congelamento de despesas e a manutenção de juros restritivos.

O que ele ganha com isso?

Previsões pessimistas justificam a cobrança de taxas para proteger patrimônios. Fundos de investimento que adotam posturas defensivas utilizam esses cenários para atrair investidores que buscam fugir da renda variável nacional, alocando recursos em fundos cambiais e investimentos no Exterior. Declarações como as de Armínio ajudam a ancorar as expectativas do mercado. Isso mantém as taxas de juros longas elevadas e o dólar pressionado, o que beneficia estratégias de investimento focadas em juros altos.

Como o que a vida quer da gente é memória, importante recordar como o Banco Central foi conduzido por Armínio Fraga durante os anos Fernando Henrique Cardoso, entre 1999 e 2002. Já fizemos isso neste espaço – vale o repeteco.

Naquela profícua gestão a Selic chegou a 45% e terminou em 25%, passando de aterradora para assustadora. Armínio pediu ajuda à área fiscal para promover tamanha redução da taxa básica? O crescimento econômico no final dos governos do Príncipe FHC era pouco mais de 2%. O desemprego havia aumentado consideravelmente, alcançando o maior índice da década – 10,5% -, enquanto a renda per capita estagnou. A confiança de consumidores e investidores desabou, refletindo na redução do consumo e dos investimentos privados. Hoje registra-se o menor desemprego da série histórica (5,6%) e um aumento crescente da renda, com o salário mínimo tendo aumentado 7,5% em termos reais.

As previsões do FMI para o Brasil em 2027 são diametralmente opostas às de Armínio. O Fundo revisou para cima suas projeções para a economia brasileira, reforçando a avaliação de que o país atravessa um período de resiliência e crescimento consistente, mesmo em meio às turbulências do cenário internacional e às novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros. O FMI projeta crescimento de 2,4% do PIB brasileiro em 2026.

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