Uma representação do Ministério Público de São Paulo cita pelo menos quatro unidades da Polícia Civil em conversas de operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre supostos pagamentos de propina para proteger um esquema de lavagem de dinheiro da facção. Com informações de Metrópoles.
As mensagens mencionam o 13º Distrito Policial, na Casa Verde, o 39º Distrito Policial, na Vila Gustavo, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e uma Delegacia Seccional da zona norte de São Paulo. O MPSP deflagrou a Operação Janus nesta terça-feira (21) para atingir uma rede suspeita de movimentar dinheiro do crime organizado.
A investigação aponta que Bruno Ramos Fernandes, preso na operação, viabilizava o fluxo de valores de um “banco paralelo”. Em troca de mensagens com Robson Martins de Souza, tratado como uma das figuras centrais do esquema, ele discutiu a necessidade de dinheiro vivo para pagamentos ao 13º DP, ao 39º DP e à seccional.
O MPSP afirma que os investigados usavam um código para esconder os valores reais, retirando o último dígito das quantias. Nas conversas, aparecem menções a pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil às delegacias; em outro diálogo, Cléber Azevedo dos Santos ordenou a Bruno que separasse R$ 50 mil para “pagar a polícia”.
Áudios citam pagamento ao Deic e cobrança de R$ 300 mil
Áudios ligados ao caso mostram Cléber Azevedo pedindo a liberação de R$ 100 mil a integrantes do esquema para que um “cliente” do crime organizado pagasse o Deic. Em uma das gravações, a ordem aparece associada à frase: “Precisa pagar os polícia do Deic”.
Em outra mensagem de voz enviada a Amjad Ahmad, apontado como operador financeiro da facção, Cléber mencionou policiais civis do setor de crimes cibernéticos do Deic e afirmou que agentes queriam “tomar 300 conto [R$ 300 mil]” de Robson. “Além de tudo os caras querem indiciar o Robson, e ainda querem tomar 300 conto dele”, disse.
A Operação Janus apura a atuação de operadores financeiros suspeitos de converter dinheiro em espécie em transferências bancárias, ocultar valores e disponibilizar recursos atribuídos ao PCC. Os investigados, segundo as autoridades, recebiam dinheiro ilícito e devolviam os valores por meio de empresas criadas para camuflar a origem criminosa.
A Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores expediu 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Bruno Ramos Fernandes, Amjad Ahmad e Raphael Flores Rodriguez; cinco investigados estavam foragidos.
Em uma conversa de 15 de junho, Cléber enviou uma foto do interior do Deic ao doleiro Raphael Flores Rodriguez, identificado como “Batata”, que ironizou: “É a fachada do banco aí. Isso aí não é delegacia, é banco. Só que só deposita, nunca saca”. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo ainda não se pronunciou sobre o caso.