Lula decidiu manter Sidônio Palmeira fora do dia a dia de sua campanha à reeleição. O ministro da Secretaria de Comunicação Social continuará no Palácio do Planalto, sem integrar formalmente o núcleo responsável pela candidatura.
Sidônio comandou a estratégia de comunicação da vitória de Lula em 2022 e chegou a planejar deixar o governo para assumir novamente a campanha. O presidente, porém, descartou essa mudança após uma sequência de desgastes internos, segundo O Globo. Aliados afirmam que o ministro continuará opinando, mas sem comandar as decisões eleitorais.
A decisão muda os planos discutidos ao longo do ano. Agora, o marketing ficará sob responsabilidade de Raul Rabelo, sócio do ministro e integrante do mesmo núcleo de publicitários baianos.
Segundo aliados, Lula já avisou que Raul não deverá recorrer a Sidônio para decidir os rumos da comunicação eleitoral. O presidente quer evitar um “duplo comando” e deixar claro quem será responsável pelas decisões, inclusive para saber quem cobrar caso a estratégia não funcione.
A relação sofreu desgastes nos últimos meses. Em um dos episódios, Lula criticou diante de auxiliares o tom considerado leve demais de uma peça da Secom. Sidônio defendeu o trabalho, enquanto Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, apoiou a avaliação do presidente, dando início a uma discussão. O ministro nega que tenha ocorrido um bate-boca.
Em outra ocasião, Lula questionou Sidônio sobre a presença de gatinhos e capivaras no perfil institucional do governo e reclamou que Donald Trump aparecia com muito mais frequência nas redes oficiais da Casa Branca. O ministro respondeu que a legislação brasileira impõe limites mais rígidos à promoção pessoal de autoridades em canais públicos.
As tensões ocorrem num momento de reorganização da equipe eleitoral. Marcola deixou recentemente a coordenação da campanha após a revelação de um empréstimo recebido da empresária Roberta Luchsinger. Para a largada da disputa, Lula quer que sua comunicação explore o contraste entre seu governo e o de Jair Bolsonaro, compare sua trajetória à de Flávio Bolsonaro e coloque a defesa da soberania nacional no centro do embate com a direita.