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Lula reage a tarifaço de Trump e diz que Brasil “não aceita desaforo”

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Lula reage a tarifaço de Trump e diz que Brasil “não aceita desaforo”

O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (17) que aguardará uma manifestação de Donald Trump antes de comentar de forma mais ampla o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Durante agenda no Rio de Janeiro, Lula também declarou que o Brasil não aceitará desrespeito de outros países.

“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira.”, disse.

Ao final do compromisso, o presidente voltou a defender uma postura de respeito nas relações internacionais. “Esse país precisa estar de cabeça erguida porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo”, afirmou.

➡️ Lula diz aguardar fala de Trump sobre tarifaço: “Brasil não aceita desaforo”

EUA decidiu taxar produtos brasileiros em 25% após investigação do USTR sobre práticas comerciais brasileiras

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— Metrópoles (@Metropoles) July 17, 2026

Lula visitou as instalações da carreta da saúde da mulher na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. A unidade móvel disponibiliza exames preventivos de saúde.

O governo dos Estados Unidos confirmou na noite de quarta-feira (15) a aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil. A medida deve entrar em vigor na próxima quarta-feira (22) e foi adotada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

A apuração comercial havia sido aberta em julho do ano passado. Após a conclusão do processo, integrantes do governo brasileiro buscaram negociar com representantes dos Estados Unidos, mas as conversas não resultaram na retirada das tarifas.

O governo brasileiro classificou a medida como desproporcional e inaceitável. O Planalto rejeita os argumentos apresentados pelo USTR e considera que não há justificativa comercial para as sanções. A avaliação do Executivo é que a decisão norte-americana tem motivação política.

O Pix estava entre os principais pontos analisados na investigação. O relatório dos Estados Unidos acusa o Banco Central de favorecer o sistema brasileiro de pagamentos de maneira injusta e discriminatória em relação a outras formas de pagamento.

Nesta sexta-feira, os perfis de Lula nas redes sociais publicaram uma imagem com a frase “ninguém vai mudar nosso Pix. É público, é de graça e vai continuar assim”. A legenda dizia: “Nossa soberania não se negocia”.

Nossa soberania não se negocia.
Ninguém vai mudar o nosso PIX. pic.twitter.com/3swinMkYxg

— Lula (@LulaOficial) July 17, 2026

Os Estados Unidos utilizaram a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para justificar a decisão. A legislação permite a adoção de tarifas contra países que, na avaliação do governo norte-americano, descumpram acordos ou adotem práticas comerciais consideradas prejudiciais. O USTR informou que as taxas poderão ser aumentadas ou reduzidas conforme a resposta brasileira.

Segundo estimativa do governo federal, as tarifas atingirão aproximadamente 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, considerando os números de 2024. O valor corresponde a US$ 7,4 bilhões. Entre os produtos afetados estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e itens químicos.

Cerca de 2 mil produtos ficaram fora da decisão anunciada pelos Estados Unidos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), porém, calcula um impacto maior e estima que US$ 11 bilhões em exportações estejam sob risco, o equivalente a 26% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

O governo Lula anunciou na quinta-feira (16) o reforço do Plano Brasil Soberano, programa que oferece linhas de crédito às empresas atingidas pelas tarifas. A administração federal também avalia a aplicação da Lei de Reciprocidade, mas auxiliares do presidente analisam formas de utilizar o mecanismo sem provocar efeitos negativos sobre a economia brasileira.

Em nota, a Presidência informou que iniciará os procedimentos necessários para responder à medida dos Estados Unidos. “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o texto.

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