O cientista político Felipe Nunes, professor da FGV e diretor da Quaest, analisou em uma thread a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest. O levantamento, feito presencialmente com 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto, mostra Lula à frente no primeiro turno e uma disputa apertada contra Flávio Bolsonaro no segundo; a margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro no TSE é BR-06773/2026. Confira a análise de Nunes:
A nova pesquisa Quaest mostra uma eleição ainda polarizada, mas não totalmente decidida. A distância entre Lula e Flávio diminuiu tanto no primeiro quanto no segundo turno.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 38% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro, 31%. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 4% cada; os demais candidatos não passam de 2%. A direita tem várias opções, mas Flávio é o único nome que se destaca neste início de campanha, concentrando o voto antipetista.
A vantagem de Lula no primeiro turno vem principalmente do Nordeste, onde o presidente marca 57%. Flávio Bolsonaro lidera no Sul, com 40%, e há empate técnico no Sudeste. Caiado chega a 10% no recorte que reúne Norte e Centro-Oeste.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Lula e Flávio aparecem próximos, com 34% e 31%, respectivamente. Renan Santos tem 10% nesse segmento. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula abre sete pontos de vantagem.
O recorte religioso mantém uma divisão observada desde 2018: Lula lidera entre católicos, com 47%, enquanto Flávio tem preferência entre evangélicos, com 43%.
A rigidez do voto também aparece de maneira desigual. Lula tem o eleitorado mais firme, com 77% de intenção consolidada; Flávio vem em seguida, com 70%. Renan Santos e Caiado registram 57% e 55%, enquanto Zema tem 23%, o que indica maior possibilidade de migração e voto útil entre os candidatos menores.
Com os resultados atuais, a disputa iria para o segundo turno entre Lula e Flávio. A soma dos demais candidatos chega a 44%, contra 38% de Lula no primeiro turno. No confronto direto, Lula tem 43% e Flávio, 40%, resultado dentro da margem de erro e que não era registrado desde junho.
A vantagem de Lula é sustentada pelo Nordeste, pelos eleitores com renda de até dois salários mínimos, pelas pessoas pretas, por quem tem ensino fundamental e pelos católicos. Flávio se destaca no Sul, entre evangélicos, entre os que recebem mais de cinco salários mínimos e entre eleitores com ensino superior.
Contra Ronaldo Caiado, Lula teria vantagem maior: 44% a 37%. Ao longo das medições, diminuiu o percentual de brancos, nulos e eleitores que dizem não votar nesse confronto.
Caiado teve crescimento expressivo no Sul. Em maio, ele tinha 36% das intenções de voto nesse recorte; agora, registra 50%. Em contrapartida, Lula melhorou seu desempenho na combinação entre Norte e Centro-Oeste.
Renan Santos continua reduzindo a diferença para Lula. Em eventual segundo turno, Lula tem 44%, e Renan, 36%, uma distância de oito pontos percentuais.
O avanço de Renan é mais visível entre os jovens. No eleitorado de 16 a 34 anos, ele passou de 32% para 41% entre maio e agosto.
Quem não conseguiu manter o desempenho do primeiro trimestre foi Romeu Zema. No cenário contra Lula, o presidente marca 45%, e o ex-governador mineiro, 34%. A diferença foi menor no começo do ano, após o Carnaval e os embates de Zema com o ministro Gilmar Mendes.
Nos indicadores de rejeição e potencial de voto, Lula e Flávio aparecem empatados. Os demais concorrentes ainda precisam se tornar mais conhecidos: Caiado é desconhecido por 43% dos eleitores, Zema por 47% e Renan por 65%.
A pesquisa mostra uma oscilação negativa na aprovação do governo Lula, de 48% para 46%. A variação é pequena, mas interrompe a trajetória de melhora observada depois do lançamento do Desenrola.
A queda na aprovação do governo se concentra especialmente entre os independentes, grupo mais pendular e volátil do eleitorado, que pode ser decisivo caso a polarização entre Lula e Flávio permaneça.
Outro indicador que piorou nos últimos dias foi a percepção sobre a economia. A avaliação vinha melhorando ao longo do primeiro semestre, mas voltou a ficar mais negativa.
A síntese é que Lula parte na frente, Flávio se consolida como principal nome da oposição e a disputa permanece aberta. A vantagem eleitoral do presidente convive com uma avaliação mais frágil do governo, enquanto os nomes alternativos ainda enfrentam alto desconhecimento.




