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Justiça

Justiça da Bolívia decreta prisão de consultor ligado a Bolsonaro por 180 dias

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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Imagem: Reprodução
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A Justiça da Bolívia determinou a prisão preventiva por 180 dias do consultor político argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos, no âmbito da investigação sobre o atentado a tiros sofrido pela advogada Nadia Beller, sua ex-companheira. A decisão foi tomada na sexta-feira (21) por um tribunal de Santa Cruz de la Sierra. Cerimedo deverá cumprir a medida cautelar no presídio de Palmasola. A prisão preventiva não representa condenação e o argentino permanece presumidamente inocente enquanto o processo estiver em andamento.

Beller foi atingida por três disparos na noite de segunda-feira (17), nas proximidades de um hotel em Santa Cruz. Segundo informações divulgadas durante a investigação, os autores do ataque teriam se aproximado vestidos como entregadores de comida e fugido após os disparos. A advogada sobreviveu e permanece sob cuidados médicos. Horas depois do crime, Cerimedo foi detido no aeroporto de Santa Cruz.

Ex-companheira aponta Cerimedo como possível mandante

Nadia Beller atribuiu a Cerimedo a suposta autoria intelectual do atentado. A partir das declarações da vítima e de outros elementos reunidos até o momento, o Ministério Público boliviano formalizou uma investigação contra o argentino por feminicídio em grau de tentativa. A acusação, porém, ainda deverá ser submetida ao devido processo legal e à análise definitiva da Justiça.

Durante a audiência cautelar, advogados de Beller afirmaram que uma perícia realizada no telefone celular de Cerimedo teria localizado mensagens consideradas relevantes para a apuração. A Justiça rejeitou questionamentos apresentados pela defesa contra a utilização desse material, permitindo que as informações sejam avaliadas no processo. A defesa de Cerimedo, por sua vez, contesta a validade dos diálogos e questiona a forma como os dados teriam sido obtidos.

Os investigadores ainda buscam esclarecer quem executou o ataque e qual teria sido a participação de eventuais mandantes ou intermediários. A decretação da prisão preventiva foi fundamentada, segundo a defesa da vítima, na existência de indícios considerados suficientes nesta fase inicial e na avaliação de riscos processuais. Essas conclusões são cautelares e não equivalem a uma decisão sobre a culpa do investigado.

Cerimedo ganhou notoriedade no Brasil após eleição de 2022

Fernando Cerimedo é conhecido no meio político latino-americano por sua atuação em comunicação e estratégias digitais. Ele participou da estratégia eleitoral de Javier Milei na eleição presidencial argentina de 2023 e também manteve vínculos políticos com Jair Bolsonaro e integrantes de seu entorno. Na Bolívia, trabalhou durante a campanha do atual presidente Rodrigo Paz e continuou colaborando posteriormente em temas relacionados à comunicação, segundo declaração do porta-voz presidencial boliviano.

No Brasil, Cerimedo ganhou projeção principalmente após a eleição presidencial de 2022. Em novembro daquele ano, ele apresentou uma transmissão na internet com alegações sobre supostas irregularidades envolvendo modelos de urnas eletrônicas. As informações utilizadas para colocar em dúvida a votação foram classificadas como falsas ou enganosas por diferentes iniciativas de checagem, e as alegações sobre falta de auditoria dos equipamentos foram desmentidas.

O conteúdo alcançou centenas de milhares de visualizações e circulou entre apoiadores de Jair Bolsonaro depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Reportagens da época identificaram Cerimedo como apoiador declarado da família Bolsonaro e registraram que ele afirmava ter colaborado com a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018, além de manter contato com Eduardo Bolsonaro.

Agora, a situação judicial de Cerimedo está relacionada exclusivamente ao episódio ocorrido na Bolívia. Durante os próximos meses, o Ministério Público deverá aprofundar as perícias, colher depoimentos e tentar esclarecer a participação de cada pessoa eventualmente envolvida no ataque contra Nadia Beller. Até que haja julgamento definitivo, a prisão preventiva deve ser tratada como medida cautelar e não como reconhecimento de culpa.

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