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Juíza aponta indícios de destruição de provas no caso Americanas

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Juíza aponta indícios de destruição de provas no caso Americanas

A juíza Giovana Teixeira Brantes Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, apontou indícios de destruição de provas em equipamentos entregues pela Americanas à Polícia Federal durante a investigação sobre a fraude contábil na varejista. A magistrada citou aparelhos restaurados ao padrão de fábrica e um computador com pastas vazias.

O despacho, assinado em 22 de maio, antecedeu a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada em junho contra Beto Sicupira, Eduardo Saggioro e Paulo Alberto Lemann. A decisão autorizou mandados de busca e apreensão contra os três, ligados ao grupo de acionistas de referência da companhia.

Calmon afirmou que os aparelhos atribuídos ao ex-CEO Miguel Gutierrez chegaram à investigação com os padrões de fábrica restaurados. Para a juíza, a hipótese de que os celulares nunca tivessem sido usados não se sustenta porque a própria empresa os apresentou como dispositivos utilizados pelo executivo.

“Assim, é possível afirmar com convicção quase completa que os aparelhos foram ‘formatados’ antes de ser entregues para a Autoridade Policial”, escreveu a magistrada. Gutierrez comandou a Americanas por mais de duas décadas antes da revelação do rombo contábil, em janeiro de 2023.

Computador atribuído a Sérgio Rial tinha pastas vazias

A decisão também trata de um computador que a Americanas entregou como equipamento usado por Sérgio Rial, ex-CEO da empresa. A companhia informou que Rial não utilizava celular corporativo, e a perícia encontrou pastas vazias no dispositivo.

Para a juíza, a situação indica que provas “muito provavelmente foram apagadas de forma definitiva”, possivelmente para impedir o acesso ao conteúdo. Ela escreveu que, se houvesse lisura na atuação e desconhecimento das fraudes, a conduta seria diferente.

A defesa de Rial contestou a interpretação e afirmou que a Americanas entregou o computador à Polícia Federal em 2 de junho de 2023, cinco meses depois de sua saída. Os advogados sustentam que o aparelho permaneceu sob posse da empresa nesse intervalo e dizem não haver prova de que Rial tenha usado o equipamento ou apagado arquivos.

A Americanas declarou que entregou computadores e outras provas requisitadas em 2023 “no estado em que se encontravam quando requisitados”. A varejista afirmou ser vítima da fraude e disse que as investigações atribuíram responsabilidade direta aos ex-executivos denunciados pelo Ministério Público Federal em março de 2025.

O despacho também registra que um perfil identificado como Carlos Gatto, ex-diretor da AME Digital, não pôde ser acessado porque a senha não foi fornecida. A defesa de Miguel Gutierrez informou que não comentaria o caso, e Gatto não respondeu às mensagens enviadas.

Ao examinar a atuação dos acionistas de referência, Calmon reconheceu não haver provas documentais de participação deles em conversas explícitas sobre as manobras que maquiaram resultados. Sicupira, Paulo Lemann e Saggioro disseram que investigações e acordos de colaboração demonstram que o conselho e os acionistas foram sistematicamente enganados pela antiga diretoria.

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