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Juary, ex-Santos que jogou com Pelé e decidiu Champions, vira motorista após depressão

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Juary, ex-Santos que jogou com Pelé e decidiu Champions, vira motorista após depressão
Juary Jorge dos Santos Filho com camisa do Santos
Juary Jorge dos Santos Filho com camisa do Santos. Foto: Reprodução

Juary Jorge dos Santos Filho, ex-atacante do Santos e campeão da Liga dos Campeões pelo Porto, de Portugal, trabalha como motorista de aplicativo na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, após enfrentar sintomas de depressão. Aos 67 anos, ele também carrega no currículo a participação na última partida profissional de Pelé.

O ex-jogador relatou que passou a sentir os primeiros sinais da doença no início deste ano, depois de decidir dedicar mais tempo à família. “Quando dei conta, já não tinha força para fazer mais nada. Levantava da cama às 10h da manhã, ia para o sofá na frente da televisão, e só saía dali por volta das 3h da manhã. Não tinha vontade para nada e não queria ver ninguém. Só queria ficar sozinho”, afirmou.

A mudança de rotina veio por sugestão da esposa e dos filhos há cerca de dois meses. “Com 67 anos, as opções são poucas […]. Eu gosto muito de dirigir e acabei cedendo à vontade deles. Agora, quem não quer mais abandonar sou eu”, disse Juary.

Ele trabalha de segunda a sábado, leva a esposa ao trabalho e inicia as corridas até o horário em que se sente disposto. Juary contou que já foi reconhecido por passageiros e citou uma mulher que se emocionou ao perceber quem estava ao volante: “Ela não acreditava e dizia que era fã do Juary, que achava ele um grande jogador e gostava muito de ver ele jogar. Ela ficou muito emocionada dentro do carro”.

Do Santos de Pelé ao gol que decidiu a Europa

Nascido em São João de Meriti, no Rio de Janeiro, Juary se mudou para Santos aos 14 anos, depois de passar em uma avaliação para treinar nas categorias de base do clube. Antes de completar 18 anos, assinou seu primeiro contrato profissional com o Santos.

Com a camisa 9, ele disputou 229 jogos e marcou 101 gols pelo clube, números que o colocam como o quinto maior artilheiro santista da era pós-Pelé. Em 1977, Juary participou do amistoso entre New York Cosmos e Santos que marcou a despedida profissional de Pelé; o Rei jogou um tempo por cada equipe, e o time americano venceu por 2 a 1.

No ano seguinte, Juary se destacou na campanha do título paulista do Santos e terminou a competição como artilheiro da equipe, com 29 gols. “Tive uma grande carreira e serei sempre grato. Primeiro, a Deus por ter me emprestado o dom de jogar futebol, e depois a este grande clube chamado Santos Futebol Clube por ter me aberto as portas e ter me dado a primeira oportunidade da minha vida”, afirmou o ex-atacante.

Juary também defendeu Universidad Guadalajara, do México, e Avellino, Inter de Milão, Ascoli e Cremonese, na Itália. Pelo Porto, marcou o gol da vitória sobre o Bayern de Munique na final da Liga dos Campeões da Uefa de 1986/1987; no mesmo ano, conquistou o Mundial de Clubes contra o Peñarol, do Uruguai.

O ex-atleta, conhecido por comemorar gols com dancinhas ao redor da bandeirinha de escanteio, voltou ao Brasil em 1988 para jogar pela Portuguesa. Depois retornou ao Santos, passou pelo Moto Club do Maranhão e encerrou a carreira em 1990. Em 2015, trabalhou nas categorias de base do Santos, e seu último emprego no futebol foi como treinador do time MK, em Curitiba, em 2025.

A depressão é um transtorno de humor que pode alterar sono, apetite, energia, concentração e interesse por atividades antes prazerosas. Especialistas recomendam acompanhamento com psiquiatra e terapia com psicólogo para definir a estratégia de tratamento.

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