O ex-ministro Fernando Haddad acusou nesta quinta-feira (16) o senador Flávio Bolsonaro de defender a privatização do Pix e cobrou do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, uma autocrítica sobre o apoio ao governo de Donald Trump após o novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
O presidente americano acolheu recomendação do USTR, o Escritório do Representante do Comércio dos EUA, e decidiu impor tarifa de 25% a produtos brasileiros. A lista de exceções inclui carne, café, suco de laranja e partes usadas na fabricação de aviões. A sobretaxa deve entrar em vigor em uma semana.
Em entrevista a jornalistas em Jales (SP), Haddad mirou Tarcísio ao tratar da reação brasileira à medida. “Espero que Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Tem que reavaliar e fazer uma autocrítica de ter sido ingênuo de imaginar que outro país fosse defender os interesses do nosso país. Foi uma ingenuidade muito grande”, afirmou.
A assessoria de Tarcísio não retornou ao pedido de manifestação. O governador mudou o tom sobre o tarifaço ao longo de 2025: alternou endosso a Trump, recados ao STF e críticas ao governo Lula, mas recuou depois da repercussão negativa das medidas americanas.
Haddad disse que o país precisa abandonar “essa ideologia” e esse “Fla-Flu no Brasil” diante da decisão de Washington. “Nós precisamos nos unir nessa hora”, declarou.
“Aqueles que estavam apoiando o governo Trump, os brasileiros que estavam apoiando o governo Trump, precisam rever a sua posição. E o Brasil precisa estar unido para dar uma resposta a essa agressão completamente fortuita, gratuita ao nosso país.”
O petista afirmou que São Paulo será o estado mais atingido pelo tarifaço. “Mais uma razão para os paulistas estarem unidos em torno dos interesses nacionais contra essa postura agressiva e indesculpável de um governo que está transformando dois países amigos em países hostis um ao outro”, disse.
Haddad cumpre agendas no interior paulista, onde busca reduzir resistências e ganhar terreno para enfrentar Tarcísio em outubro, com o objetivo de levar a disputa ao segundo turno. Na mesma entrevista, ele também relacionou o Pix, alvo do governo americano, à atuação de Flávio, apontado como possível adversário de Lula na eleição presidencial.
“Pix não faz mal nenhum para o governo americano”, disse o ex-ministro. “Ou seja, por trás disso existe o desejo de que o Pix seja privatizado. O apoio ao Bolsonaro é para privatizar o Pix, porque o Pix gratuito coloca em risco os interesses de muitas companhias norte-americanas que cobram por tudo, toda e qualquer transação.”
Haddad completou a crítica ao senador com nova referência a Trump. “Eles têm o direito de privatizar lá o que eles quiserem, mas nós não vamos privatizar o Pix como Flávio e Trump querem. Não faremos isso”, afirmou.
A disputa política em torno do sistema de pagamentos ganhou força em junho. Flávio exibiu um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!”, um dia depois de Lula levantar outro com a mensagem “O Pix é do Brasil!”.