O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aguarda a confirmação do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, sobre novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros para definir a reação do Brasil. A medida pode atingir uma parte relevante da pauta exportadora brasileira para o mercado americano.
Mesmo com expectativa de desfecho negativo, o governo brasileiro tenta manter as negociações abertas até o último dia antes da decisão. Representantes do Brasil tiveram uma última conversa com autoridades americanas na véspera do anúncio final esperado pelo governo Trump.
Lula discutiu o cenário na última sexta-feira com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Na reunião, o presidente avaliou que a retaliação é o caminho mais provável caso Washington confirme o tarifaço.
O governo também espera que os Estados Unidos antecipem quais itens entrarão na lista de produtos tarifados antes do comunicado oficial. A Confederação Nacional da Indústria estima que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA podem ser afetados.
Lista de exceções e novas conversas com os EUA
O Brasil ainda aguarda uma lista oficial para tentar negociar a inclusão de produtos estratégicos em um grupo de exceções à cobrança. Essa lista já reúne 73 produtos que ficariam fora da nova taxação.
Entre os itens isentos estão café e carnes, que chegaram a ser alvo de tarifas no ano passado. Outra possibilidade em análise é a realização de novas reuniões com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, caminho adotado pelo governo brasileiro em rodadas anteriores de tarifas impostas por Trump.
O prazo para os Estados Unidos decidirem se aplicam ou não as novas taxas vai até esta quarta-feira (15). A definição da lista é considerada essencial para que o Brasil escolha entre insistir na negociação setorial, pedir novas exceções ou avançar em uma resposta comercial.
A retaliação está em estudo desde o anúncio das novas tarifas em junho. O colunista Fabio Graner, do GLOBO, informou que áreas como propriedade intelectual, consideradas sensíveis para os americanos, aparecem entre as opções de represália à decisão de Trump.
O governo brasileiro também pode recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada no ano passado. A norma permite responder a medidas unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade internacional do Brasil, com instrumentos como tarifas sobre importações, suspensão de concessões comerciais e investimentos, além de restrições ligadas à propriedade intelectual.
