O Governo do Estado do Rio de Janeiro lançou o Índice Multidimensional de Excesso de Calor (IMEC-RJ), ferramenta desenvolvida para auxiliar os 92 municípios fluminenses na avaliação dos riscos provocados por episódios de temperaturas extremas. O sistema cruza informações climáticas, ambientais, demográficas, de saúde e de infraestrutura, permitindo identificar localidades mais vulneráveis e orientar a adoção antecipada de medidas de prevenção.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, o índice poderá contribuir para a emissão de alertas aos municípios com até cinco dias de antecedência diante da previsão de eventos climáticos extremos. A proposta é permitir que hospitais, unidades de pronto atendimento e demais serviços da rede pública se organizem para um possível aumento da procura por atendimento, especialmente entre idosos, pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais e outros grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso.
Disponível na área de Excesso de Calor da plataforma Monitora RJ, o IMEC-RJ considera cinco dimensões na classificação dos riscos: exposição anterior a eventos de calor, vulnerabilidade demográfica, ocorrência de doenças relacionadas às altas temperaturas, capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e condições ambientais e socioeconômicas. Aspectos como cobertura vegetal, infraestrutura urbana e disponibilidade da rede de saúde também integram a análise.
O Plano de Contingência para o enfrentamento do excesso de calor estabelece cinco níveis de classificação, que vão do Nível 0, situação sem calor significativo, ao Nível 4, aplicado quando condições severas ou extremas persistem por mais de cinco dias. Para cada estágio estão previstas ações específicas de preparação e resposta. De acordo com a superintendente de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, Luciane Velasque, a intenção é fornecer aos municípios parâmetros para atuação antes e durante períodos prolongados de altas temperaturas.
A Secretaria de Saúde também programou capacitações regionais para gestores e profissionais municipais. Nos dias 25 e 26 de agosto, os encontros deverão reunir representantes das regiões Noroeste, Norte, Baixada Litorânea, Médio Paraíba e Baía da Ilha Grande. Já nos dias 27 e 28 de agosto, estão previstas atividades com municípios das regiões Serrana, Metropolitanas I e II e Centro-Sul. O planejamento inclui ainda distribuição de material orientativo e preparação para operações emergenciais, com possibilidade de reforço de ambulâncias, veículos de intervenção rápida, motolâncias, aeronaves para transferências e envio de insumos às áreas afetadas.
A iniciativa ocorre após análises da Secretaria de Estado de Saúde sobre os impactos registrados durante a onda de calor de novembro de 2023. Segundo estudo divulgado pelo órgão em publicação vinculada à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), houve aumento expressivo da mortalidade durante o episódio analisado. Na Região Noroeste, apontada como uma das áreas mais sensíveis, o levantamento registrou elevação de 74% no risco de mortalidade, com maior impacto entre idosos.
Com a implantação do IMEC-RJ, o governo pretende transformar essas informações em instrumentos de planejamento e prevenção, direcionando respostas conforme as características de cada município. A ferramenta ganha relevância diante da possibilidade de novos períodos de calor intenso associados a fenômenos climáticos de grande escala, mas eventuais relações com episódios específicos de El Niño dependem das previsões e avaliações oficiais dos órgãos meteorológicos.




