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Golpe: Keiko Fujimori toma posse militarizando combate ao crime organizado

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Golpe: Keiko Fujimori toma posse militarizando combate ao crime organizado

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, tomou posse nesta terça-feira (28) anunciando uma das medidas mais controversas de seu governo: entregar às Forças Armadas o comando das operações de segurança em regiões dominadas pelo crime organizado, pelo narcotráfico e pela mineração ilegal. A decisão reforça a aposta em uma política de militarização da segurança pública e remete diretamente ao legado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violações de direitos humanos.

Segundo Keiko, sempre que forem decretados estados de emergência nessas áreas, os militares assumirão temporariamente o controle da chamada “ordem interna”, substituindo as forças policiais. O objetivo declarado é “devolver esses territórios aos cidadãos”. O anúncio foi feito durante seu discurso de posse no Congresso.

A nova presidente assume o comando do Peru em meio a uma longa crise institucional. Ela é a nona chefe de Estado do país em apenas dez anos, período marcado por impeachments, renúncias e sucessivas disputas políticas. Eleita após derrotar o candidato de esquerda Roberto Sánchez, Keiko chegou ao poder prometendo restaurar a ordem, reduzir burocracias e ampliar a abertura da economia ao investimento privado.

🚨 KEIKO FUJIMORI SORPRENDE 🚨
Nadie podía esperar que la hija de un dictador genocida condenado sacara a los militares a la calle y declare el ESTADO DE SITIO en Perú en el mismo momento se su asunción. NADIE.

Y el Javo aplaudiendo. Siempre del lado del fascismo… pic.twitter.com/km2UBanQ4Z

— M (@MConurbasic) July 29, 2026

Seu programa de governo, batizado de “Peru com Ordem”, aposta na retomada do protagonismo da iniciativa privada e do capital estrangeiro, retomando princípios econômicos adotados durante o governo de Alberto Fujimori na década de 1990. Embora esse período seja lembrado pelo controle da hiperinflação e pelo crescimento econômico, também ficou marcado por graves denúncias de autoritarismo, perseguição a opositores, corrupção e violações de direitos humanos.

A trajetória política de Keiko nunca conseguiu se desvincular da figura do pai. Administradora formada nos Estados Unidos, ela iniciou sua vida pública ainda jovem, acompanhando Alberto Fujimori no Palácio do Governo e tornando-se uma das principais lideranças do partido Fuerza Popular.

O sobrenome Fujimori continua sendo um dos mais conhecidos — e também dos mais polarizadores — da política peruana. Para seus apoiadores, representa firmeza no combate ao terrorismo e estabilidade econômica. Para seus críticos, simboliza um período de autoritarismo, concentração de poder e desrespeito às instituições democráticas.

Em entrevistas durante a campanha, Keiko afirmou sentir falta do pai e sustentou que, nas últimas décadas, o Peru foi governado por administrações “antifujimoristas”, acusando seus adversários de promoverem divisão e perseguição política. Ao assumir a Presidência, ela volta a colocar o fujimorismo no centro do poder peruano, agora com uma estratégia que amplia o protagonismo dos militares no enfrentamento da criminalidade e reacende o debate sobre os limites entre segurança pública e preservação das garantias democráticas.

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