O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (28), em Niterói (RJ), que o Brasil precisa competir com Estados Unidos e China por meio de investimentos em ciência, pesquisa e educação, e não por confronto militar. “Você acha que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Você acha que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco”, disse.
Durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Lula comparou a capacidade militar, econômica e tecnológica das duas potências com a do Brasil. “Eu não tenho nem os aviões que eles têm, nem os tanques que eles têm, nem as bombas que eles têm, nem o dinheiro que eles têm, nem o conhecimento científico tecnológico que eles têm”, declarou.
O presidente disse que a resposta brasileira deve vir da ampliação da produção de conhecimento. “Ao invés de ficar brigando com ele, eu quero derrotá-los. Estudando mais do que eles, investindo mais do que eles, pesquisando mais do que eles”, afirmou.
Lula defendeu um plano de investimentos em ciência e a formação de jovens em áreas consideradas estratégicas para o país. Para ele, o Brasil precisa preparar profissionais capazes de disputar setores em que outras nações já avançaram.
🇧🇷✏️🇨🇳🇺🇸 Lula diz que ‘não é louco’ de brigar com China e EUA e quer Brasil estudando e pesquisando mais que as grandes potências
📝 Durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,… pic.twitter.com/XwBQROjvrT
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) July 29, 2026
Lula cobra presença brasileira na disputa pela inteligência artificial
O petista afirmou que o Brasil não conseguirá alcançar a inteligência artificial sem reforçar a pesquisa científica. Ele citou a disputa tecnológica entre Washington e Pequim e questionou se o país ficará fora desse processo: “A gente vai deixar que a briga fique entre Estados Unidos e China ou a gente vai entrar no meio e dizer nós existimos?”.
Segundo Lula, o objetivo deve ser desenvolver uma inteligência artificial voltada às necessidades da população. “Nós queremos uma inteligência artificial que atenda os anseios da humanidade, a partir do nosso país”, disse, antes de relacionar o tema à exploração de minerais críticos e terras raras.
Esses minerais são usados em tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e equipamentos de defesa. A disputa pelo controle da extração, do processamento e do refino desses insumos ganhou peso na relação comercial e tecnológica entre Estados Unidos e China.
O governo brasileiro recusou neste ano um convite dos Estados Unidos para integrar uma aliança sobre a produção e o refino de minerais críticos e terras raras, por avaliar que o mecanismo afetaria a autonomia nacional. Em maio, a Câmara aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com previsão de fundo garantidor e tributário de R$ 5 bilhões; a proposta aguarda análise do Senado.