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Golpe do falso príncipe de Dubai usa IA para seduzir mulheres e aplicar fraudes

Expresso Rio
Imagem manipulada por inteligência artificial do suposto príncipe Fazza. Foto: Reprodução

O avanço da inteligência artificial abriu novas possibilidades para a tecnologia, mas também criou ferramentas cada vez mais sofisticadas para criminosos. Um dos casos que mais chama atenção atualmente envolve golpistas que se passam pelo príncipe herdeiro de Dubai, Hamdan bin Mohammed, conhecido mundialmente como Fazza, para conquistar mulheres pela internet e aplicar fraudes financeiras.

Segundo relatos de vítimas e informações divulgadas pela agência France-Presse, reproduzidas pelo jornal Extra, os criminosos utilizam imagens manipuladas, vídeos produzidos com inteligência artificial (deepfakes) e mensagens cuidadosamente elaboradas para criar a impressão de que estão mantendo um relacionamento amoroso verdadeiro com mulheres de diferentes países.

A estratégia faz parte de um tipo de fraude conhecido internacionalmente como “romance scam”, ou golpe do romance, modalidade que cresce em diversos continentes e preocupa autoridades especializadas em crimes cibernéticos.

Como funciona o golpe

A abordagem costuma começar em aplicativos de relacionamento ou redes sociais. Os criminosos criam perfis sofisticados utilizando fotografias reais do príncipe de Dubai, vídeos editados com inteligência artificial e até mensagens em diferentes idiomas.

Após conquistar a confiança da vítima, o contato é transferido para aplicativos de mensagens privadas, onde a conversa passa a ser mais frequente e emocional.

Os golpistas procuram criar um vínculo afetivo intenso em pouco tempo. Declarações de amor, promessas de casamento, planos para uma vida em outro país e demonstrações constantes de carinho fazem parte da estratégia utilizada para reduzir a desconfiança da vítima.

Quando o relacionamento já parece consolidado, surgem os primeiros pedidos de dinheiro, normalmente apresentados como taxas burocráticas, despesas de viagem, documentos oficiais, vistos, reservas de hotéis ou supostos custos ligados à família real.

Vítima perdeu um ano inteiro de economias

Uma das histórias divulgadas envolve Maria, trabalhadora doméstica filipina.

Segundo seu relato à agência France-Presse, ela conheceu um homem por meio de um site de namoro. Ele afirmava ser um príncipe de Dubai e rapidamente iniciou uma rotina intensa de mensagens.

Maria contou que o contato era praticamente ininterrupto.

“Ele continuava me enviando mensagens mesmo quando eu estava dormindo”, afirmou.

Em outro momento, descreveu a intensidade emocional criada pelo criminoso.

“Parecia haver um feitiço de amor conectando nossas mentes.”

A confiança construída ao longo das conversas levou Maria a acreditar que estava prestes a oficializar um casamento.

Foi então que o golpista solicitou US$ 1.625 aproximadamente R$ 8,4 mil alegando que o valor seria destinado à emissão de uma suposta certidão de casamento e de um “cartão de membro da realeza”, documentos que, segundo ele, facilitariam sua mudança para Dubai e a obtenção de emprego.

Posteriormente, outro pedido foi feito: mais US$ 975 para uma reserva de hotel antes do encontro do casal.

Foi nesse momento que Maria decidiu investigar melhor a situação.

Ao rastrear a origem das mensagens, descobriu que os contatos não vinham dos Emirados Árabes Unidos, mas da Nigéria.

Percebendo ter sido vítima de um golpe, interrompeu imediatamente a comunicação.

Deepfakes tornam fraudes mais convincentes

O crescimento das ferramentas de inteligência artificial vem tornando golpes desse tipo muito mais sofisticados.

Além de fotografias manipuladas, criminosos conseguem produzir vídeos extremamente realistas, simular chamadas de vídeo e até criar áudios capazes de imitar vozes conhecidas.

Especialistas chamam esse tipo de tecnologia de deepfake.

Em muitos casos, torna-se difícil para pessoas sem conhecimento técnico distinguir conteúdos autênticos de materiais completamente fabricados.

No golpe envolvendo o príncipe de Dubai, também foram identificadas imagens falsas mostrando pedidos de casamento, entrega de flores, alianças e declarações românticas atribuídas ao herdeiro da família real.

Poemas frequentemente associados a Fazza também são utilizados para aumentar a credibilidade da fraude e reforçar a falsa identidade.

Popularidade do príncipe facilita ação dos criminosos

Hamdan bin Mohammed é uma das figuras públicas mais conhecidas do Oriente Médio.

Conhecido internacionalmente pelo apelido Fazza, o príncipe acumula milhões de seguidores nas redes sociais, onde publica imagens relacionadas à família real, esportes radicais, viagens, cavalos e ações oficiais do governo de Dubai.

Essa grande exposição digital facilita o trabalho dos criminosos, que encontram um enorme volume de fotografias, vídeos e conteúdos públicos para reutilizar em perfis falsos.

Quanto maior a quantidade de material disponível na internet, maior também a capacidade de produzir montagens convincentes utilizando inteligência artificial.

Golpes amorosos registram crescimento mundial

Os chamados golpes do romance não são novidade, mas ganharam novas dimensões com a evolução das tecnologias de inteligência artificial.

Autoridades de diversos países registram aumento de casos envolvendo perfis falsos de militares, médicos, empresários, celebridades, investidores, diplomatas e integrantes de famílias reais.

Os criminosos exploram principalmente sentimentos como solidão, confiança, esperança e desejo de construir um relacionamento afetivo.

Em muitos casos, as vítimas demoram meses para perceber que nunca estiveram conversando com a pessoa apresentada nas fotografias.

Como identificar sinais de fraude

Especialistas em segurança digital recomendam atenção a alguns comportamentos considerados comuns nesse tipo de golpe:

  • Declarações de amor muito rápidas.
  • Recusa constante em realizar chamadas de vídeo ao vivo.
  • Histórias envolvendo viagens internacionais, heranças ou cargos importantes.
  • Pedidos de dinheiro para documentos, passagens, taxas ou emergências.
  • Conversas transferidas rapidamente para aplicativos privados.
  • Pressão emocional para manter segredo sobre o relacionamento.

Também é recomendável realizar pesquisas reversas de imagens, verificar perfis oficiais e desconfiar de qualquer pedido financeiro feito por pessoas conhecidas exclusivamente pela internet.

Autoridades reforçam alerta

Órgãos especializados em crimes cibernéticos orientam que nenhuma quantia seja enviada a pessoas conhecidas apenas em ambientes virtuais, independentemente da história apresentada.

Caso exista suspeita de fraude, a recomendação é interromper imediatamente o contato, preservar conversas, comprovantes e registros das mensagens e procurar as autoridades policiais para formalizar a ocorrência.

Até a publicação desta reportagem, não havia indicação de envolvimento do verdadeiro príncipe Hamdan bin Mohammed com qualquer uma das fraudes relatadas. Os criminosos utilizam sua imagem sem autorização para enganar vítimas em diferentes países.

Com a popularização da inteligência artificial e a facilidade de criação de conteúdos falsificados, especialistas alertam que golpes desse tipo tendem a se tornar ainda mais sofisticados. A combinação entre tecnologia, engenharia social e manipulação emocional reforça a importância da educação digital e da verificação das informações antes de estabelecer relações de confiança ou realizar qualquer transferência financeira pela internet.

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