Um programa de formação reúne 38 profissionais das áreas de segurança pública e Justiça para desenvolver propostas de enfrentamento ao domínio territorial de grupos criminosos no Rio de Janeiro. A iniciativa reúne policiais militares e civis, integrantes do Ministério Público, juízes e servidores do sistema penitenciário.
Criado pelo Laboratório para Redução da Violência (Leme), em parceria com a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Ebape/FGV) e a Universidad EAFIT, da Colômbia, o programa começou em março e combina formação acadêmica com a elaboração de projetos voltados à realidade fluminense.
Segundo Joana Monteiro, coordenadora da iniciativa e diretora e cofundadora do Leme, um dos objetivos é ampliar a integração entre instituições que atuam na segurança e na Justiça. A proposta é criar espaços de discussão conjunta para buscar alternativas de médio e longo prazo para problemas complexos.
Experiência de Medellín entra na formação
A turma é composta por 14 oficiais superiores da Polícia Militar, dez delegados da Polícia Civil, sete integrantes do Ministério Público, quatro juízes do Tribunal de Justiça e três servidores da Secretaria de Administração Penitenciária.
Até julho, os participantes tiveram aulas sobre segurança pública baseada em evidências, crime organizado na América Latina e governança para resultados. Nesta semana, o grupo viajou para Medellín, na Colômbia, para uma etapa de imersão que inclui aulas, seminários e visitas técnicas.
A cidade foi escolhida por sua experiência no enfrentamento à violência e ao crime organizado. Durante a programação, os profissionais discutem controle territorial, extorsão, mercados criminais e estratégias de combate a organizações criminosas. Também participam de uma aula sobre análise de dados aplicada à segurança pública.
Visitas mostram estratégias de controle territorial
A agenda em Medellín inclui encontros com autoridades locais, entre elas o comandante da Polícia da Área Metropolitana e o secretário de Segurança da cidade. O grupo também visita o centro de monitoramento e a Fiscalía General de la Nación, instituição com atuação semelhante ao Ministério Público na área criminal brasileira.
Os participantes ainda conhecerão La Sierra e a Comuna 13, áreas que já estiveram entre as regiões mais violentas de Medellín e que foram marcadas pela presença de grupos criminosos. A experiência busca apresentar aos profissionais brasileiros diferentes estratégias de transformação e controle territorial.
A análise de registros criminais e o uso de ferramentas de análise espacial também fazem parte da formação. A intenção é aproximar decisões na área de segurança de evidências e dados que permitam identificar padrões e direcionar políticas públicas.
Nove grupos vão apresentar projetos em setembro
Durante o curso, os 38 participantes foram divididos em nove grupos para elaborar propostas de intervenção relacionadas à retomada do controle territorial no Rio. Os projetos reúnem conhecimento acadêmico, experiências nacionais e internacionais e a vivência dos profissionais que trabalham diretamente no sistema de segurança e Justiça.
As propostas serão apresentadas em setembro e devem resultar em sugestões de políticas públicas para o estado. A formação busca evitar respostas exclusivamente imediatas e estimular estratégias capazes de produzir resultados sustentáveis ao longo do tempo.
A coordenadora do programa afirma que a ideia é preparar as lideranças antes que elas tenham a oportunidade de ocupar posições de decisão. Dessa forma, os participantes podem estudar problemas, testar propostas e discutir alternativas antes de transformá-las em políticas públicas.
O programa também pretende estimular uma visão de médio e longo prazo para a segurança do Rio, com foco em soluções estruturadas para reduzir a violência e recuperar o controle de áreas afetadas pela atuação de grupos criminosos.