O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou para sua candidatura à reeleição em 2026 uma foto de urna em que usa chapéu panamá, escolha que aliados avaliam poder provocar questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se a imagem for mantida, será a primeira vez que Lula aparecerá na urna com um adereço em suas sete eleições.
A campanha produziu a fotografia a pedido do próprio presidente. O uso do chapéu se tornou frequente desde abril, quando Lula retirou um câncer de pele e passou a proteger do sol a área submetida ao procedimento.
Após a cirurgia, Lula usou curativo e fez 15 sessões de radioterapia. O presidente adotou o chapéu por recomendação médica e tem utilizado o acessório também no Palácio do Planalto.
O petista apareceu com o item no pronunciamento pelo Dia do Trabalhador, em 1º de maio. Lula mantém uma coleção de chapéus panamá, mas o emprego do acessório na fotografia eleitoral foge do padrão das candidaturas.
Precedente do TSE autorizou boné na foto de candidato
Diante da possibilidade de contestação, a campanha levantou decisões anteriores da Justiça Eleitoral sobre adereços em fotos de urna. Um dos casos envolve o deputado federal Douglas Belchior (PT-SP), que recebeu autorização para usar boné em sua imagem na eleição de 2022.
Naquele ano, Belchior incluiu no registro de candidatura uma fotografia com boné de aba reta. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo barrou o acessório ao classificá-lo como um mero “elemento cênico”.
A defesa do então candidato recorreu ao TSE. Ao revisar o caso, o tribunal afastou a decisão regional e considerou que o boné não prejudicava a identificação do candidato pelo eleitor.
O TSE afirmou que, “neste caso específico”, o uso do item “não atrapalha a visualização do seu rosto nem dificulta o seu reconhecimento pelo eleitor”. Esse foi o critério adotado pelo tribunal para permitir a fotografia de Belchior na urna.