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Flávio Bolsonaro pede que ex-presidente da Caixa explique a Selic: ‘Não entendo tanto de economia’

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Flávio Bolsonaro pede que ex-presidente da Caixa explique a Selic: ‘Não entendo tanto de economia’

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou que “não entende tanto de economia” ao questionar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques sobre o comportamento da taxa básica de juros caso vença as eleições deste ano.

A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Market Makers, divulgada nesta quinta-feira (6). No diálogo, Flávio quis saber em quanto tempo as expectativas do mercado financeiro poderiam responder às primeiras sinalizações econômicas de uma eventual administração comandada por ele.

“Não entendo tanto de economia. Vamos supor, ganhamos a eleição. Como funciona a próxima taxa de juro com as sinalizações que vamos fazer? Ela cai rápido ou demora a cair?”, perguntou o senador.

Daniella respondeu que uma mudança nas expectativas poderia produzir efeitos rapidamente no mercado, principalmente na curva de juros futuros.

“Cai rápido. Um pedaço do ajuste vem na curva. Cada um ponto de Selic custa R$ 90 bilhões. Se você faz um corte de 1,5 ponto, 2,5 vem do próprio ajuste da curva. O Brasil não precisa de presidente que entenda de economia, precisa de presidente que tenha vontade política de aprovar o que tem que ser aprovado no Congresso.”

A discussão ocorre em um momento no qual a trajetória dos juros se tornou um dos principais temas do debate econômico e também começa a ganhar espaço na campanha presidencial.

Flávio aposta no ajuste fiscal para reduzir juros

Flávio tem defendido a tese de que um eventual governo comandado por ele poderia acelerar a redução dos juros por meio de medidas de contenção das despesas públicas e de sinalizações de maior disciplina fiscal.

A lógica apresentada pela campanha é que uma melhora das expectativas em relação às contas públicas reduziria a percepção de risco dos investidores, com reflexos inicialmente sobre os juros futuros e, posteriormente, sobre as condições para novos cortes da Selic.

A definição da taxa básica, no entanto, é atribuição do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que toma suas decisões a partir de fatores como as perspectivas para a inflação, a atividade econômica, as expectativas do mercado e o balanço de riscos para o cumprimento da meta inflacionária.

Na quarta-feira (5), o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta reunião consecutiva. Com a decisão, a taxa passou para 14% ao ano.

Mesmo com a continuidade dos cortes, o Banco Central indicou que pretende manter uma política monetária restritiva e acompanhar a evolução do cenário antes de acelerar uma eventual redução dos juros.

A autoridade monetária destacou a necessidade de preservar uma “restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação para a meta.

Mercado prevê Selic de 13,75% no fim do ano

As expectativas dos agentes financeiros ainda apontam para uma redução lenta da taxa básica.

As projeções reunidas no relatório Focus indicam Selic de 13,75% no fim de 2026, o que significaria apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao nível atual.

Para o encerramento de 2027, a estimativa é de juros em 12% ao ano.

O comportamento da taxa dependerá, entre outros fatores, da trajetória da inflação, das expectativas dos agentes econômicos e da situação fiscal do país. O quadro das contas públicas exerce influência sobre os juros porque uma percepção maior de risco pode elevar o prêmio exigido pelos investidores para financiar a dívida brasileira.

É justamente nesse ponto que Flávio procura construir parte de seu discurso econômico para a campanha.

O candidato do PL vem relacionando a perspectiva de redução dos juros a um programa de corte de despesas e ajuste das contas públicas. A estratégia busca transmitir a ideia de que medidas fiscais tomadas logo no início de um eventual mandato poderiam melhorar as expectativas e favorecer uma trajetória mais rápida de redução do custo do dinheiro.

A declaração de que “não entende tanto de economia”, porém, coloca também em evidência o papel que assessores e integrantes da equipe econômica terão na formulação das propostas apresentadas pelo candidato durante a campanha.

Daniella Marques, que comandou a Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro, é um dos nomes com os quais Flávio vem discutindo questões econômicas. Na entrevista, ela argumentou que o conhecimento técnico do presidente seria menos importante do que a capacidade política para aprovar medidas no Legislativo.

A economia deverá ocupar espaço crescente na corrida presidencial à medida que os candidatos apresentarem seus programas de governo. Com a Selic ainda em 14%, estarão no centro do debate propostas para equilibrar as contas públicas, controlar a inflação, estimular a atividade e criar condições para uma redução sustentável dos juros.

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