O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incluiu em seu plano de governo para as eleições de 2026 o compromisso de barrar interferências estrangeiras no Brasil caso conquiste um quarto mandato. O documento, protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na sexta-feira (7), coloca a defesa da soberania nacional entre os eixos da candidatura.
O programa afirma que o país precisa manter autonomia para tomar decisões políticas e econômicas orientadas pelos interesses nacionais, “sem qualquer tipo de subordinação estratégica”. A proposta também defende um Brasil “livre de interferências externas”.
Em um dos trechos mais diretos, o plano promete “firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica”.
O texto não menciona nominalmente os Estados Unidos, mas surge durante tensões entre o governo brasileiro e a gestão do presidente americano Donald Trump. Lula rejeita ainda “alinhamentos automáticos” com potências estrangeiras.
Plano prevê proteção de áreas estratégicas e fronteiras
A diretriz sobre soberania alcança a política externa e setores como defesa, tecnologia, energia, recursos minerais, meio ambiente, economia e segurança digital. O programa define a soberania como um “princípio permanente e inegociável”.
Na área de defesa, Lula propõe ampliar a autonomia estratégica do país e fortalecer a indústria nacional do setor. O plano também prevê proteção das fronteiras, da Amazônia e da chamada Amazônia Azul.
O documento estabelece o reforço da defesa cibernética, das infraestruturas críticas e das bases de dados governamentais. Essas medidas integram a estratégia de proteção de áreas consideradas essenciais para o país.
Na política externa, o programa lista como princípios a independência nacional, a autodeterminação dos povos, a não intervenção, a defesa da paz e a solução pacífica de conflitos.