O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) definiram seus principais palanques estaduais após as convenções partidárias, com atenção especial aos oito maiores colégios eleitorais do país. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará somam mais de 100 milhões de eleitores, quase 70% do eleitorado nacional.
Lula tenta ampliar sua votação no Sudeste, sobretudo em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores eleitorados. Flávio busca reduzir a vantagem histórica do petista no Nordeste e escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente para reforçar sua presença na região.
Em São Paulo, com 31,2 milhões de eleitores, Lula apoia o ex-ministro Fernando Haddad (PT) contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A chapa petista reúne Márcio França (PSB) como vice, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) como candidatas ao Senado. Tarcísio apoia Flávio e concorre à reeleição ao lado de Guilherme Derrite (PP) e André de Paula (PL), candidatos ao Senado.
Minas Gerais, com 16,7 milhões de eleitores, não entregou a Lula nem a Flávio os palanques inicialmente desejados. O PT lançou o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias, com Jarbas Soares Júnior (PSB) na vice e Marília Campos (PT) na disputa pelo Senado. O PL definiu Flávio Roscoe para o governo, após o Republicanos barrar a candidatura do senador Cleitinho.
Rio de Janeiro e Nordeste concentram disputas por alianças
No Rio de Janeiro, reduto eleitoral de Flávio Bolsonaro, o PL perdeu aliados e montou uma chapa própria com Douglas Ruas ao governo, Fernanda Louback na vice e Carlos Portinho e Carlos Jordy na corrida pelo Senado. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas para o governo, oferece a Lula um palanque com mais tempo de televisão e com Benedita da Silva (PT) candidata ao Senado.
Na Bahia, ACM Neto declarou apoio presidencial a Ronaldo Caiado e deixou Flávio sem um palanque direto, embora João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos), candidatos ao Senado em sua chapa, apoiem o senador. Lula estará com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tenta a reeleição, e com os senadores Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT) na chapa estadual.
O Paraná terá o senador Sergio Moro (PL), ex-juiz da Lava Jato, como candidato ao governo no palanque de Flávio Bolsonaro. Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) disputam o Senado. Lula apoia Roberto Requião Filho (PDT) ao governo e terá Gleisi Hoffmann (PT) e Doutor Rosinha (PT) como candidatos ao Senado. No Rio Grande do Sul, o PL lançou Luciano Zucco ao governo com apoio de PP, Novo, Republicanos e Podemos, enquanto Lula apoia Juliana Brizola (PDT), com Edegar Pretto (PT) de vice.
Em Pernambuco, Lula optou pelo apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) adotou neutralidade na disputa presidencial. No Ceará, o acordo do PL local com Ciro Gomes (PSDB) provocou uma crise entre Flávio e Michelle Bolsonaro, que criticou a aliança como “fazer aliança com o mal”. Flávio negou ter desrespeitado a ex-primeira-dama, e Lula participou da convenção que oficializou a candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).