Familiares, amigos e colegas de profissão se reuniram nesta sexta-feira (17), no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio, para se despedir do jornalista Renato Machado. Ex-apresentador e editor-chefe do “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, ele morreu nesta quinta (16), aos 83 anos, em decorrência de uma insuficiência cardíaca.
O velório começou às 11h30, na capela 8, e foi aberto ao público. A cremação estava prevista para as 14h30, em uma cerimônia reservada à família. A mulher de Renato, a também jornalista Mônica Morel, acompanhou as homenagens ao lado de parentes e amigos.
Entre os colegas de profissão que compareceram estavam os jornalistas Leilane Neubarth, Ana Luiza Guimarães e Mariana Gross. A equipe do “Bom Dia Brasil”, telejornal que Renato comandou por 15 anos, também enviou uma coroa de flores em homenagem ao ex-apresentador.
Leilane, que dividiu a bancada do programa com Renato por sete anos, lembrou que a relação entre os dois ia muito além do trabalho. Os antigos colegas, segundo ela, costumavam se encontrar para almoços regados a conversas, bom humor e vinho. Na semana passada, eles chegaram a combinar um novo encontro, que não pôde acontecer devido ao estado de saúde do jornalista.
“Todo o tempo que a gente teve junto foi um tempo de aprendizado, e eu só tenho a agradecer”, afirmou Leilane.
Ao falar sobre o legado deixado por Renato às novas gerações de jornalistas, ela destacou a cultura e a curiosidade do antigo companheiro de bancada.
“Leia, leia, leia, estude, aprenda, se interesse’. Renato era uma pessoa muito atenta, muito culta. Então, eu acho que não dá para você ser jornalista sem ter interesse na vida, na cultura. E acho que isso ali mostrou a vida inteira que tinha”, aconselhou.
Mais de quatro décadas no jornalismo
Renato Machado construiu uma das trajetórias mais reconhecidas do telejornalismo brasileiro. Na TV Globo, onde chegou em 1982, apresentou o “Jornal da Globo” e o “RJTV”, integrou a bancada do “Jornal Nacional” e trabalhou como repórter especial e correspondente internacional.
Em Londres, acompanhou acontecimentos como o desastre nuclear de Chernobyl, atentados terroristas em Paris e os primeiros anos de Ayrton Senna na Fórmula 1. Também participou de coberturas como a Guerra das Malvinas, a redemocratização do Chile, o impeachment de Fernando Collor e a morte de Senna.
Um de seus trabalhos mais conhecidos foi no Bom Dia Brasil, onde atuou como apresentador e editor-chefe e ajudou a reformular o formato do telejornal. Além das grandes coberturas, Renato também era conhecido pela paixão pelos vinhos, tema ao qual dedicou programas, documentários e cursos após deixar a televisão.