O ex-superintendente comercial do Banco Master no Rio de Janeiro, Diego Maciel, passou a figurar entre os nomes observados pela Polícia Federal nas investigações que apuram supostas irregularidades envolvendo o grupo financeiro e recursos públicos do Estado do Rio de Janeiro.
A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo a apuração, Maciel atuava em nome do banqueiro Daniel Vorcaro nas negociações com integrantes da administração estadual durante o governo de Cláudio Castro, incluindo secretários, dirigentes de estatais e representantes do Rioprevidência.
De acordo com relatório de auditoria realizado pela Cedae, Maciel participou de uma reunião ocorrida em 17 de maio de 2023 entre representantes do Banco Master e integrantes da Diretoria Financeira da companhia estadual de saneamento. O encontro é citado nos documentos analisados durante as investigações.
As apurações apontam que o governo estadual autorizou aproximadamente R$ 4 bilhões em investimentos ligados ao Banco Master, valor que agora está no centro da investigação conduzida pela Polícia Federal.
A mais recente fase da Operação Compliance Zero, realizada entre maio e junho de 2026, aprofundou as investigações sobre um suposto esquema financeiro bilionário relacionado ao banco.
Durante a operação, a PF cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos esteve Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo os investigadores, o grupo investigado teria utilizado estrutura clandestina para monitorar críticos, acessar informações sigilosas e acompanhar o andamento de investigações. A Polícia Federal afirma que policiais teriam sido cooptados para fornecer dados reservados, enquanto hackers contratados atuariam no monitoramento de redes sociais e em ações contra perfis considerados adversários.
Outro eixo da investigação envolve aportes realizados com recursos do Rioprevidência.
A Polícia Federal aponta suspeitas relacionadas ao uso de mais de R$ 3 bilhões provenientes do fundo previdenciário estadual em operações vinculadas ao Banco Master. Os investigadores afirmam que tais movimentações ocorreram mesmo diante de alertas emitidos anteriormente pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
As circunstâncias desses investimentos e eventuais responsabilidades ainda são objeto de apuração pelas autoridades competentes.
O caso também alcançou o cenário político nacional.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou medidas investigativas envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e seu irmão, Raimundo Neto.
Segundo a Polícia Federal, assessores ligados ao Banco Master teriam elaborado uma proposta de emenda à PEC 65/2023 para ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de (FGC), elevando o teto de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Os investigadores apuram ainda supostos benefícios que teriam sido oferecidos ao parlamentar. As acusações são investigadas pelas autoridades e ainda dependem de análise judicial definitiva.
Outro nome citado nas investigações é Felipe Vorcaro, irmão de Daniel Vorcaro, apontado pela PF como operador financeiro do esquema investigado. A Justiça decretou sua prisão após episódio ocorrido durante abordagem policial em Trancoso, na Bahia.
Paralelamente, Daniel Vorcaro apresentou uma nova proposta de colaboração premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. A defesa aguarda manifestação dos órgãos responsáveis sobre a possibilidade de avanço das negociações.
O caso continua em desenvolvimento e pode gerar novos desdobramentos envolvendo agentes públicos, instituições financeiras e gestores responsáveis por investimentos de recursos estatais.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do Supremo Tribunal Federal e de outros órgãos de controle.