Pular para o conteúdo

Em nota, PCO diz que operação da PF é “perseguição” e convoca “reação”

em-nota,-pco-diz-que-operacao-da-pf-e-“perseguicao”-e-convoca-“reacao”
Em nota, PCO diz que operação da PF é “perseguição” e convoca “reação”

A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (11), uma operação de busca e apreensão na casa de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República pela legenda.

Em nota, o PCO aponta que agentes da PF chegaram por volta das 6h, apresentaram um mandado judicial e entraram na residência de Rui, no bairro do Jabaquara, em São Paulo. O partido afirma ainda que os policiais realizaram buscas em um escritório localizado em outro endereço, onde teriam arrombado portas e o portão.

A legenda aponta que Rui não havia sido previamente informado sobre a operação e que tomou conhecimento da investigação no momento em que os agentes chegaram à sua residência.

O DCM mostrou, em 2022, que o PCO destina recursos públicos recebidos por meio do Fundo Eleitoral a empresas e pessoas ligadas a Rui Costa Pimenta, a familiares dele e a filiados e candidatos do partido.

A informação consta de documentos públicos relacionados às prestações de contas eleitorais, além de dados fiscais, patrimoniais e financeiros do partido analisados.

Investigação envolve contratos de gráficas

A investigação está relacionada a contratos firmados pelo partido com três empresas gráficas ao longo de aproximadamente cinco anos.

Os valores mencionados chegam a R$ 1,8 milhão. O partido relaciona o montante ao número de candidaturas lançadas nas eleições de 2018, 2020 e 2022. Segundo dados citados da plataforma DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram 442 candidatos do PCO nesses três pleitos.

Para reforçar a comparação, o partido cita os gastos da campanha de Bruno Covas à Prefeitura de São Paulo em 2020.

Segundo os dados apresentados pela organização, a campanha de Covas teria desembolsado R$ 1,85 milhão apenas em materiais impressos, além de aproximadamente R$ 2,2 milhões em serviços advocatícios, mais de R$ 10 milhões em produção de vídeos e cerca de R$ 1,8 milhão em pesquisas eleitorais.

A comparação feita pela legenda é direta: um único candidato, em uma única eleição, teria gasto em materiais impressos praticamente o mesmo valor que o PCO movimentou em contratos com gráficas ao longo de cinco anos, considerando os números citados pelo partido.

PF apreende celular e passaporte

Durante a operação, os agentes apreenderam o celular e o passaporte de Rui Costa Pimenta. A legenda afirma que não foram encontrados joias, grandes quantias em dinheiro ou bens de luxo na residência do dirigente. O partido descreve a casa como simples e alugada e afirma que uma das principais características do imóvel é a extensa biblioteca de Rui.

O PCO também sustenta que a operação não encontrou elementos que justificassem a dimensão dada à ação, embora os resultados e eventuais provas apreendidas dependam da investigação oficial.

A direção do PCO também atacou o horário escolhido para o cumprimento dos mandados. Em seu comunicado, a legenda comparou a chegada dos agentes às 6h às práticas utilizadas durante a ditadura militar e afirmou que a operação teria sido concebida para produzir um efeito de intimidação.

O partido relacionou a ação a outras operações policiais e judiciais que considera abusivas, incluindo a Lava Jato e investigações envolvendo manifestações políticas e liberdade de expressão.

As acusações de abuso e perseguição política, contudo, são posições apresentadas pelo PCO em seu comunicado. O texto da legenda não apresenta, por si só, elementos suficientes para estabelecer que a operação tenha sido ilegal ou que tenha sido motivada pela candidatura presidencial.

Ao final do comunicado, a Executiva Nacional do Partido da Causa Operária classificou a ação como uma “covarde agressão” e convocou partidos, organizações e pessoas que defendem direitos democráticos a se manifestarem contra o que considera perseguição à legenda.

O partido sustenta que a operação representa uma tentativa de pressionar uma organização que se apresenta como oposição radical ao sistema político e afirma que continuará defendendo a candidatura de Rui Costa Pimenta.

A investigação da Polícia Federal deverá esclarecer quais são as suspeitas que fundamentaram os mandados, quais documentos e dispositivos foram apreendidos e se existem indícios de irregularidades nos contratos investigados.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.