A revelação do elo entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, provocou desgaste entre bolsonaristas moderados e eleitores indecisos, segundo monitoramento qualitativo feito por pesquisadores da UERJ.
A BBC News Brasil ouviu participantes de grupos de WhatsApp acompanhados pelo Monitor do Debate Público, que analisou reações aos áudios em que o senador negocia recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
O estudo indica que bolsonaristas convictos mantiveram apoio ao pré-candidato do PL e trataram o caso como perseguição política e midiática. Mesmo nesse grupo, porém, apareceu uma cobrança incomum: a ideia de que Flávio Bolsonaro precisa apresentar documentos para provar sua versão sobre o financiamento.
Entre bolsonaristas moderados, a reação foi mais ambígua. Parte dos participantes criticou as mudanças de versão do senador, que inicialmente negou relação com o financiamento e depois admitiu ter negociado recursos privados com Vorcaro. Um eleitor ouvido pelo estudo disse que ele estava “começando a se enrolar nas próprias alegações”.
O grupo, ainda assim, mostrou resistência a abandonar Flávio Bolsonaro por receio de enfraquecer a direita diante do PT. Um participante afirmou que o campo conservador estaria “entregando de mão beijada a eleição para o atual sistema”, mas defendeu que a direita permanecesse unida “mesmo errados”.
O maior desgaste apareceu entre indecisos. A cientista política Carolina de Paula, coordenadora do estudo com João Feres Jr., afirmou que esse público demonstrou desconfiança, irritação com as contradições e incômodo com a relação entre política e empresariado. Uma participante do grupo de indecisos conservadores resumiu: “Não confio em ninguém dessa família.”
Segundo a pesquisadora, o episódio não significa migração automática de votos para Lula, mas pode ampliar cansaço com a política, abstenção ou busca por alternativas dentro da própria direita. A avaliação é que o caso pode abrir espaço para nomes que tentem se apresentar como moderados e coerentes, embora ainda não haja um candidato capaz de romper a polarização.
O desgaste também apareceu em pesquisa quantitativa. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, após a divulgação dos áudios. O senador caiu em relação à rodada anterior, quando aparecia numericamente à frente do petista.
A crise começou após o Intercept revelar mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro tratava com Vorcaro de repasses para bancar “Dark Horse”. O senador primeiro negou envolvimento e depois admitiu ter buscado patrocínio privado para o projeto sobre o pai.




