O CEO do Rei do Mate, Antônio Carlos Nasraui, comparou a defesa do fim da escala 6×1 ao desejo de uma criança de frequentar menos a escola. Em entrevista à Folha, o empresário disse que a mudança é uma proposta “popular” e afirmou que “uma criança sempre vai preferir ir menos vezes à escola”.
Nasraui declarou que considera legítimo o desejo de trabalhadores de terem mais tempo com a família, mas sustentou que as pessoas não deveriam ser impedidas de trabalhar mais. Para ele, a redução da jornada sem corte salarial aumentaria os custos de empresas, especialmente das menores, e poderia pressionar os preços cobrados dos consumidores.
A fala ocorre enquanto o Congresso debate a alteração da jornada de trabalho. A Câmara dos Deputados aprovou a PEC 221/2019, que prevê limite de 40 horas semanais, cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, sem redução de salário. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado, onde a discussão continua aberta e a proposta não virou lei.
Pela regra aprovada pelos deputados, a transição para a nova jornada ocorreria em 14 meses. O texto também prevê que categorias com escalas específicas possam adotar modelos diferentes por meio de negociação coletiva, desde que seja respeitada a média de dois dias de descanso remunerado por semana. Hoje, a escala 6×1 segue permitida no país.
O CEO da rede de cafeterias afirmou que o impacto seria mais duro sobre o pequeno comércio. Segundo ele, a necessidade de contratar mais funcionários para cobrir as folgas elevaria a folha de pagamento e poderia fechar lojas que operam com margens menores. A declaração, porém, parte da defesa empresarial contra uma proposta que busca reduzir uma jornada marcada por apenas um dia de descanso semanal.
Nasraui comanda uma rede com cerca de 300 lojas e disse que o Rei do Mate cresceu 7% no primeiro semestre deste ano. Ao comentar a possível mudança trabalhista, ele classificou o debate sobre o fim da escala 6×1 como uma escolha entre o apelo popular da redução da jornada e os custos que, na visão dele, seriam repassados pelo varejo.




