O estaleiro alemão Lürssen, fabricante do superiate Nixie, que pertenceu a Daniel Vorcaro, recebeu uma intimação para apresentar documentos e indicar dirigentes a prestar depoimento sobre possíveis negócios com o Banco Master e pessoas ligadas ao caso.
Eduardo Felix Bianchini, liquidante do Banco Master, expediu a medida dentro do processo de liquidação da instituição nos Estados Unidos. A intimação, emitida em 15 de junho, fixou 2 de julho como prazo para a entrega dos documentos.
A Lürssen afirmou que não comentaria o assunto, citando sua política corporativa. A defesa de Vorcaro não respondeu ao pedido de manifestação feito pela Folha até a publicação da reportagem.
O processo tramita sob o mecanismo conhecido como Chapter 15, que permite à Justiça americana reconhecer processos estrangeiros de falência ou liquidação. Com esse reconhecimento, o responsável pela liquidação pode pedir no país dados e documentos que tenham relevância para a apuração de ativos e operações.
Documentos pedidos no processo de liquidação
O liquidante solicitou contratos, acordos, cartas de intenção e registros de eventuais transações entre a Lürssen e o Banco Master ou pessoas relacionadas ao caso. O pedido também abrange cheques, transferências eletrônicas, extratos bancários e comprovantes de depósitos ou de transferência de bens.
A intimação inclui informações sobre negócios que possam envolver o LetsBank, o Banco Master de Investimentos e a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O LetsBank integrava o grupo Master e entrou em liquidação pelo Banco Central.
O documento cita, além de Vorcaro, os ex-sócios Maurício Quadrado, Felipe Simonsen e Armando Gallo, o ex-diretor de Compliance Luiz Antonio Bull e o ex-diretor do LetsBank Reinaldo Hossepian. A defesa de Bull disse que ele não tinha conhecimento dos fatos e não recebeu comunicação sobre procedimento relacionado ao tema; Quadrado e Hossepian afirmaram que nunca mantiveram relação comercial ou fizeram transações com a Lürssen.
O Nixie não aparece nominalmente na intimação. O iate foi encomendado inicialmente pelo empresário canadense Patrick Dovigi, vendido depois a Vorcaro e recomprado por Dovigi após a prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Posteriormente, Dovigi vendeu a embarcação a Nik Storonsky, fundador da fintech Revolut; o negócio virou alvo de ação da corretora britânica Cecil Wright & Partners, que cobra 17,5 milhões de euros em comissão.




