O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro defendeu o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e acusou o presidente Lula de explorar politicamente a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em entrevista ao Metrópoles, nesta terça-feira (21), ele afirmou que o petista “comemorou” a medida ao atribuir a responsabilidade pela taxação à família Bolsonaro.
Eduardo disse que a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, teve caráter técnico. Para ele, Rubio só entrou no debate depois que Lula passou a tratar a crise comercial em tom político.
“A Seção 301 sempre foi um processo técnico. O Marco Rubio teve que entrar no campo político porque o Lula também estava mentindo para ter ganhos políticos. O Lula fez um textão quase comemorando as tarifas, onde ele abre o texto culpando o Flávio Bolsonaro”, afirmou o ex-parlamentar.
Eduardo também disse que Rubio não participou da análise comercial que embasou a investigação americana. “Ele não é um ator técnico, porque não faz uma análise comercial das coisas. Ele é um ator político que estuda e trabalha dentro da geopolítica. Ele botou uma ‘água no chope do Lula’”, declarou.
O governo de Donald Trump oficializou uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras após a conclusão da investigação do escritório comercial americano. O órgão apontou práticas consideradas “desleais, discriminatórias e irrazoáveis” contra empresas dos Estados Unidos.
A taxação atinge produtos como etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, papel, açúcar e produtos químicos. Ficaram fora da medida itens como café, carne bovina, mel orgânico, açaí, laranja, terras-raras, além de produtos de aço e alumínio já sujeitos a outras tarifas, insumos industriais e componentes da indústria aeroespacial.
Autoridades brasileiras apontam Eduardo Bolsonaro como um dos articuladores da aproximação entre integrantes do governo Trump e aliados da oposição brasileira durante a escalada das tensões comerciais. Na avaliação do ex-deputado, o governo brasileiro tentou transformar a crise em ativo eleitoral.
“Se for preciso que o povo pague mais tarifa, que gere inflação e desemprego para os próprios brasileiros, se o Lula entender que isso vai trazer ganhos na eleição, ele o fará, tanto que o fez. O Rubio só desnudou a estratégia do Lula.”
Na segunda-feira (20), durante a convenção nacional do PDT, em Brasília, Lula desafiou Rubio a participar da campanha eleitoral brasileira em apoio ao senador Flávio Bolsonaro, sem citá-lo nominalmente. “Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar meu adversário, que venha. Que monte o comitê. Pois a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia no Brasil”, afirmou o presidente.
Rubio responsabilizou Lula pelo fracasso das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e disse que o presidente brasileiro colocou “seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”. O chefe da diplomacia americana completou: “essas tarifas são o preço por isso”.