Uma movimentação interna no Partido dos Trabalhadores (PT) voltou a agitar os bastidores políticos no Rio de Janeiro. A indicação para a primeira suplência da deputada federal Benedita da Silva na disputa pelo Senado, que parecia definida, passou a ser questionada por parte da cúpula estadual da legenda.
Durante uma recente reunião da executiva estadual, dirigentes demonstraram resistência ao nome do vereador Felipe Pires, apontando que o parlamentar ainda possui baixa projeção fora de sua base política e pouca capilaridade para uma eleição majoritária.
O movimento contrário ao vereador ganhou força entre integrantes do diretório, que passaram a defender uma alternativa para a composição da chapa. Nos bastidores, o nome do pastor e cantor gospel Kleber Lucas, recém-filiado ao partido, surgiu como opção viável, articulada por lideranças estaduais.
A avaliação desse grupo é de que Kleber Lucas poderia ampliar o alcance eleitoral do PT, especialmente entre o público evangélico, considerado estratégico nas disputas atuais. A aposta seria uma tentativa de romper uma barreira histórica do partido nesse segmento, mesmo com o fato de Benedita já possuir longa trajetória religiosa ela se converteu à Assembleia de Deus ainda em 1968.
A possível substituição, no entanto, enfrenta resistência dentro do próprio partido. Felipe Pires conta com o apoio de um grupo político relevante, incluindo sua ligação com o prefeito de Maricá, Washington Quaquá. Além disso, o vereador mantém uma base eleitoral consolidada na Zona Oeste do Rio, o que reforça sua defesa interna.
Aliados de Pires reagiram às críticas e divulgaram uma nota destacando que o parlamentar representa uma renovação dentro do partido. Segundo o posicionamento, apesar de vir de uma família com histórico político sendo sobrinho de Adilson Pires, fundador do PT Felipe reúne características que dialogam com segmentos importantes do eleitorado.
O texto ressalta ainda que o vereador é líder da bancada do PT na Câmara Municipal do Rio e ocupa o cargo de secretário estadual de Organização do partido. Para seus defensores, ele simboliza não apenas a juventude, mas também a representação de moradores de favelas e periferias, considerados fundamentais para a estratégia eleitoral da legenda.
Mesmo com a divergência, integrantes do grupo afirmam que é legítimo que diferentes correntes internas apresentem alternativas, ainda que não representem a maioria do diretório. O cenário, no entanto, expõe um novo capítulo de disputa interna no PT em meio à preparação para as eleições.


