A exoneração, a pedido, do delegado da Polícia Civil Marcos Cipriano do cargo de assistente II no Instituto Rio Metrópole foi publicada pelo Governo do Estado no Diário Oficial desta quarta-feira (15). O desligamento ocorre menos de oito meses após sua nomeação para a autarquia, que já havia provocado debates em razão do histórico judicial do policial, investigado em diferentes procedimentos, mas sem condenação.
Servidor da Polícia Civil há mais de duas décadas, Cipriano foi cedido ao Instituto Rio Metrópole em novembro de 2025. A cessão foi oficializada com efeitos retroativos a 25 de novembro daquele ano. Nesta semana, o próprio delegado solicitou o desligamento da função administrativa.
Histórico de investigações
O nome de Marcos Cipriano passou a ganhar maior repercussão em 2021, quando a Corregedoria da Polícia Civil iniciou investigação sobre uma suposta ligação do delegado com a organização criminosa atribuída ao bicheiro Rogério de Andrade.
Em maio de 2022, Cipriano foi preso durante a Operação Calígula, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Segundo a investigação, ele teria intermediado um encontro para facilitar a liberação de máquinas caça-níqueis apreendidas. A defesa sempre contestou as acusações.
Ainda em 2022, a Justiça determinou, de forma temporária, sua transferência para um presídio de segurança máxima após denúncias do MPRJ de que o delegado estaria utilizando telefone celular dentro da unidade prisional para tentar interferir nas investigações e intimidar testemunhas por meio de familiares. Novamente, a defesa negou as acusações.
Em 2023, após permanecer preso por mais de um ano, Cipriano obteve liberdade por decisão judicial, sob o entendimento de garantir isonomia em relação a outros réus do processo. Desde então, passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana.
Nomeações também foram alvo de disputa judicial
A trajetória administrativa do delegado também foi marcada por questionamentos. Em 2021, ele foi indicado pelo governo estadual e aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para ocupar uma vaga de conselheiro da Agenersa.
No entanto, em agosto de 2022, a 4ª Vara da Fazenda Pública anulou a nomeação. Na decisão, o magistrado reconheceu o notável saber jurídico de Cipriano, mas entendeu que sua prisão preventiva comprometia o requisito legal de “insuspeita idoneidade moral” exigido para o exercício do cargo. O juiz destacou que impedir investigados por crimes graves de ocupar determinados cargos públicos não afronta o princípio da presunção de inocência.
Agora, com a publicação da exoneração no Instituto Rio Metrópole, encerra-se mais um capítulo da passagem administrativa do delegado pelo governo estadual, enquanto os processos judiciais envolvendo seu nome seguem em tramitação.




