O nome do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou ao centro do caso Banco Master após a revelação de que seu escritório de advocacia emitiu três , de R$ 500 mil cada — totalizando R$ 1,5 milhão— , para duas empresas conectadas à estrutura empresarial que manteve negócios com o banco de Daniel Vorcaro.
O episódio se soma a outra frente já conhecida da relação entre Flávio e o universo do Master: as , cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do parlamentar, interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel. Mensagens divulgadas nos últimos meses mostram que o senador participou das tratativas e cobrou a liberação de recursos para a produção.
Flávio afirma que todas as relações tiveram caráter privado e legal. Segundo o senador, ele prestou serviços advocatícios regularmente contratados e buscou financiamento privado para o filme, sem qualquer irregularidade ou contrapartida.
Veja abaixo o que se sabe até agora.
As notas fiscais reveladas nesta semana
O episódio mais recente veio à tona nesta quarta-feira (22) após a divulgação de três notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro em abril de 2025. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles.
Duas delas, de R$ 500 mil cada, foram emitidas para a Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, segundo documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado. As duas notas foram canceladas no mesmo dia.
Dois dias depois, o escritório emitiu uma terceira nota, também de R$ 500 mil, para a Contábil Correa, empresa pertencente ao contador Rogério Lourenço Novo. Meses depois, ele assumiria a direção da própria Copenhagen, estabelecendo uma ligação entre as duas empresas.
Nas redes sociais, Flávio afirmou que chegou a negociar a prestação de serviços para a Copenhagen, mas desistiu do contrato antes de receber qualquer pagamento. Já em relação à Contábil Correa, disse que efetivamente prestou assessoria jurídica e recebeu pelos serviços.
As empresas citadas nas notas fiscais aparecem conectadas por seus administradores e por pessoas citadas nas investigações sobre o Banco Master.
Na época em que Flávio emitiu as notas para a Copenhagen, a empresa era dirigida por Artur Figueiredo, diretor financeiro da Trustee DTVM. A administradora de fundos é citada nas investigações por sua atuação em estruturas ligadas ao Master Asset Management.
Posteriormente, a Copenhagen passou a ser dirigida por Rogério Lourenço Novo, dono da Contábil Correa, empresa que contratou o escritório do senador. Rogério já chegou a ser alvo de investigação da Polícia Federal por suposta operação de um esquema de notas fiscais falsas de empresas de fachada para evadir impostos entre os anos de 2013 e 2015. A fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões, mas o caso acabou arquivado.
A Trustee afirma que Artur Figueiredo atuava apenas como representante de um fundo investidor da Copenhagen e que não participava das decisões comerciais da empresa nem de negociações envolvendo o Banco Master.
O financiamento de ‘Dark Horse’
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro se tornou pública meses antes, quando mensagens revelaram que o senador negociou com o banqueiro o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo as conversas divulgadas nos últimos meses, Vorcaro se comprometeu a destinar recursos para a produção do longa, ainda sem data fixa de lançamento, mas previsto para estrear próximo das eleições.
Planilhas obtidas pelo portal The Intercept apontam que ao menos R$ 61 milhões foram destinados à produtora responsável pelo filme. As negociações tratavam de um investimento que poderia chegar ao equivalente a US$ 24 milhões.
Flávio chegou a reconhecer que procurou Vorcaro para buscar investidores para o projeto, mas afirmou que o financiamento era privado e que não houve qualquer uso de recursos públicos ou oferecimento de vantagens ao empresário.
Outro conjunto de mensagens mostrou Flávio cobrando a liberação de pagamentos para a produção do filme.
Em uma das conversas, o senador pede “um gás” para destravar os repasses. Na sequência, Daniel Vorcaro orienta integrantes de sua equipe a tratar os pagamentos do longa como prioridade.
As revelações envolvendo o financiamento de Dark Horse motivaram pedidos de investigação encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF). O caso ficou sob relatoria do ministro André Mendonça, que solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República. A também avalia medidas para rastrear a origem e o destino dos recursos aplicados no filme.