A possibilidade de um acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro voltou a ser discutida entre a defesa do banqueiro, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, as conversas foram retomadas recentemente, mas ainda sem avanços concretos.
De acordo com interlocutores envolvidos nas tratativas, a principal exigência das autoridades é que Vorcaro abandone a estratégia adotada até agora e reconheça participação nos fatos investigados. Além disso, os órgãos responsáveis esperam que uma eventual nova proposta apresente informações inéditas e consideradas relevantes para as investigações.
A primeira tentativa de colaboração foi rejeitada no último dia 20. Conforme apuração, investigadores entenderam que o material apresentado era insuficiente e deixava de abordar fatos já conhecidos pelas autoridades.
Também pesou contra a proposta a ausência de informações consideradas estratégicas para o avanço das investigações. Segundo fontes ligadas ao caso, a colaboração não teria contemplado temas que, na avaliação dos investigadores, deveriam ser abordados de forma mais ampla.
Nos bastidores, integrantes das negociações afirmam que a principal dificuldade encontrada foi a resistência do banqueiro em admitir participação nos episódios que resultaram em sua prisão.
Para os investigadores, a colaboração premiada pressupõe não apenas o fornecimento de novos elementos, mas também o reconhecimento da própria atuação nos fatos narrados.
Segundo um investigador ouvido durante as tratativas, uma delação não pode ser utilizada como instrumento de defesa, mas sim como mecanismo de colaboração efetiva com a Justiça.
Entre os temas que teriam recebido atenção dos investigadores estão referências ao senador Ciro Nogueira e supostas relações envolvendo negócios ligados ao Banco Master.
De acordo com relatos de pessoas que acompanharam a análise dos documentos, a primeira proposta não abordou determinadas informações que eram consideradas relevantes para a investigação.
Outro ponto apontado como sensível foi a falta de detalhes sobre supostas influências relacionadas a investimentos realizados pelo Rioprevidência em títulos vinculados ao Banco Master.
Paralelamente às negociações com PF e PGR, a defesa de Vorcaro trabalha para restabelecer o diálogo institucional com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Segundo relatos divulgados nos bastidores, a relação entre a equipe jurídica do banqueiro e o gabinete do ministro teria se desgastado durante a análise da primeira proposta de colaboração.
Após esse episódio, a comunicação passou a ocorrer exclusivamente pelos meios formais do processo.
A rejeição da proposta também teve reflexos na situação prisional do banqueiro. Após o fracasso das negociações, Vorcaro deixou a sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal e foi transferido para uma cela de passagem.
Posteriormente, André Mendonça autorizou seu retorno à sala de Estado-Maior, medida interpretada por integrantes das negociações como uma oportunidade para reabrir o diálogo entre as partes.
Segundo apuração divulgada por O Globo, a expectativa dos investigadores é que uma nova proposta seja construída com maior abrangência, incluindo informações inéditas e o reconhecimento da participação do banqueiro nos fatos investigados.
Até o momento, não há definição sobre eventual homologação de um futuro acordo. As negociações permanecem em andamento e dependem da avaliação da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal.
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