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Criminosos ampliam domínio sobre internet em Niterói e deixam bairros sem opção de operadora

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Criminosos ampliam domínio sobre internet em Niterói e deixam bairros sem opção de operadora

A atuação de grupos criminosos sobre o mercado de internet em Niterói deixou de ser um problema restrito à Região Oceânica e já alcança outras áreas do município. Segundo representantes do setor de telecomunicações, cerca de 45% das residências da cidade já não contam com cobertura das principais operadoras de internet fixa, cenário que limita a livre escolha dos consumidores e compromete a prestação do serviço.

O problema ganhou maior visibilidade após uma operadora comunicar cerca de 600 clientes da Região Oceânica sobre o risco de interrupção dos serviços devido às ameaças sofridas por técnicos durante atendimentos. Empresários do setor afirmam, no entanto, que a situação vem se agravando há anos e se intensificou nos últimos meses.

Além das intimidações a funcionários, as empresas relatam furtos de equipamentos, sabotagem de cabos, impedimento de novas instalações e pressão para favorecer provedores ligados a organizações criminosas que controlam determinados territórios.

Problema já avança para outras regiões da cidade

Embora os casos mais recentes tenham ocorrido na Região Oceânica, representantes das operadoras alertam que o problema já se expandiu para outras áreas de Niterói.

Entre os bairros mais afetados estão Engenho do Mato, Maravista, Rio do Ouro, Várzea das Moças e parte de Itaipu. Na Zona Norte, o Fonseca também aparece entre as localidades onde empresas enfrentam dificuldades para manter ou ampliar seus serviços.

Segundo empresários, diversas operadoras interromperam a expansão das redes em áreas consideradas de risco e algumas reduziram significativamente suas operações. Grandes empresas nacionais também deixaram de realizar novas instalações em diversos bairros.

De acordo com um representante do setor, que preferiu não se identificar por questões de segurança, muitos técnicos passaram a trabalhar com veículos descaracterizados, escondendo uniformes e equipamentos para evitar serem identificados durante os atendimentos.

Moradores relatam falta de alternativas e até mudança de endereço

Os reflexos da restrição na oferta de internet já afetam diretamente a rotina dos moradores.

Um morador de Serra Grande, em Itaipu, contou que decidiu deixar a residência onde vivia após não conseguir contratar uma operadora regular. Depois que sua empresa encerrou os atendimentos na região por questões de segurança, nenhuma outra prestadora aceitou realizar instalações no local.

Segundo o relato, a falta de opções obrigou a família a procurar outro imóvel. O morador afirmou ainda que preferiu não contratar um provedor cuja regularidade não conseguiu confirmar.

Nas redes sociais também surgiram relatos sobre restrições ao uso de internet via satélite em áreas dominadas por criminosos. Casos semelhantes já foram registrados na divisa entre Niterói e São Gonçalo.

Forças de segurança intensificam operações

Enquanto as denúncias aumentam, Polícia Militar, Polícia Civil e Prefeitura de Niterói afirmam que vêm reforçando as ações de combate às organizações criminosas.

Na última semana, uma operação conjunta em Piratininga resultou na prisão de um homem e na apreensão de dois veículos carregados com equipamentos utilizados em instalações clandestinas de redes de TV e internet.

A Polícia Militar informou que intensificou o patrulhamento, o trabalho de inteligência e o monitoramento das áreas onde há denúncias de ameaças contra técnicos e tentativas de imposição de provedores ilegais.

Já a Polícia Civil informou que a 81ª DP (Itaipu) mantém investigações em andamento sobre a atuação desses grupos. Um inquérito relacionado ao tema já foi concluído anteriormente e encaminhado à Justiça, enquanto novas apurações continuam sendo realizadas.

A Prefeitura de Niterói informou que atua em parceria com as forças estaduais de segurança por meio do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), utilizando tecnologia e inteligência para apoiar as operações.

Segundo o município, ações realizadas nos últimos 30 dias resultaram em duas prisões, apreensão de quatro veículos e recolhimento de materiais utilizados em instalações clandestinas.

A administração municipal informou ainda que mantém reuniões periódicas com as operadoras para ampliar a troca de informações e fortalecer estratégias de proteção aos serviços de telecomunicações. A prefeitura ressaltou, porém, que a fiscalização da infraestrutura instalada nos postes é de competência da concessionária responsável e dos órgãos federais, cabendo ao município apenas o ordenamento do uso do espaço público.

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