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Clubes militares divulgam manifesto contra “falência moral, institucional e econômica” do Brasil

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Clubes militares divulgam manifesto contra “falência moral, institucional e econômica” do Brasil

É a volta do golpismo. Os Clubes Militar, Naval e de Aeronáutica divulgaram nesta segunda-feira (3) uma nota conjunta em tom de alerta na qual afirmam que o Brasil atravessa um cenário de “falência moral, institucional e econômica” e corre o risco de se tornar um país “economicamente insolvente, politicamente ingovernável e cada vez mais irrelevante no cenário internacional”.

Intitulado “Os riscos à Nação”, o documento é assinado pelos presidentes das três entidades — Alexandre José Barreto de Mattos (Clube Naval), Sérgio Tavares Carneiro (Clube Militar) e Marco Antonio Carballo Perez (Clube de Aeronáutica) —, que representam associações civis formadas majoritariamente por militares da reserva.

Na nota, os clubes atribuem a crise a fatores como a leniência com a corrupção, a tolerância ao crime, o descaso com a gestão pública, além da condução da política externa e da antecipação do debate eleitoral em meio a desafios econômicos e diplomáticos.

“O atraso brasileiro deixou de ser apenas uma recorrente frustração para se transformar em um retrocesso alarmante em diversas dimensões do poder nacional”, afirmam.

Críticas à política externa

O manifesto também faz críticas à condução das relações internacionais do Brasil.

Segundo as entidades, a criação de “ruídos diplomáticos desnecessários”, a adoção de “críticas personalistas” e os “desalinhamentos políticos com importantes países” comprometeram relações bilaterais construídas ao longo de décadas.

Os clubes afirmam ainda que as recentes retaliações comerciais sofridas pelo Brasil “poderiam ter sido evitadas por meio de uma condução mais técnica e pragmática”.

Para os signatários, enquanto questões estratégicas deixam de receber a devida atenção, a pré-campanha eleitoral passou a ocupar o centro da agenda política nacional.

“Riscos concretos”

Na avaliação das entidades, o país enfrenta riscos concretos de aprofundamento da crise.

“O Brasil tornar-se um país economicamente insolvente, politicamente ingovernável e, por consequência, cada vez mais irrelevante no cenário internacional”, diz um dos trechos do documento.

Ao final, os clubes conclamam a sociedade brasileira a refletir sobre os rumos do país e defendem que apenas o diálogo e a construção de consensos poderão enfrentar os desafios nacionais.

Entidades não representam oficialmente as Forças Armadas

Embora sejam compostos majoritariamente por militares da reserva e também reúnam oficiais da ativa entre seus associados, os Clubes Militar, Naval e de Aeronáutica não integram a estrutura oficial das Forças Armadas e não falam institucionalmente em nome do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica.

A distinção é considerada relevante porque a Constituição impõe restrições à atuação político-partidária de militares da ativa.

Histórico de manifestações políticas

Não é a primeira vez que os três clubes divulgam notas conjuntas sobre temas políticos.

Em 2021, as entidades defenderam a implantação do voto auditável, pauta encampada pelo então presidente Jair Bolsonaro durante os embates com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Já em 2024, os clubes publicaram manifestações em defesa de oficiais investigados por suspeitas de participação em atos contra o Estado Democrático de Direito e criticaram o que classificaram como uma tentativa de desgastar a imagem das Forças Armadas.

Até o momento, nem o Palácio do Planalto nem os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica haviam se pronunciado sobre o conteúdo da nota.

Leia a íntegra da nota

“Os riscos à Nação”

Rio de Janeiro, 03 de agosto de 2026

Os Clubes Naval, Militar e de Aeronáutica, entidades compostas majoritariamente por militares e um expressivo número de cidadãos preocupados com o futuro da Nação, não se furtam ao dever de reafirmar seus valores e expressar suas opiniões em benefício do bem comum e da Pátria. Assim, vêm a público alertar a sociedade brasileira sobre os riscos que cercam o País neste momento de sua história.

É evidente o inconformismo de uma parcela significativa da sociedade, da qual faz parte a maioria de nossos associados, diante da necessidade de uma reação cívica capaz de reverter a situação em que o Brasil se encontra. Sob essa perspectiva, a leniência com a corrupção, a tolerância com o crime e o descaso com a gestão da coisa pública contribuíram para levar o País a um cenário de crescente falência moral, institucional e econômica.

O atraso brasileiro deixou de ser apenas uma recorrente frustração, com a lentidão do crescimento e do desenvolvimento, para se transformar em um retrocesso alarmante em diversas dimensões do poder nacional. Essa realidade pode ser constatada por indicadores amplamente divulgados e reconhecidos. Enquanto outras nações avançam, o Brasil permanece para trás e em ritmo acelerado.

O País perde espaço para economias mais produtivas e competitivas, distancia-se cada vez mais das nações que concentram elevado capital tecnológico, financeiro e humano e enfrenta um cenário internacional cada vez mais instável, complexo e imprevisível. Soma-se a isso a perda de conquistas construídas ao longo de décadas, o enfraquecimento das instituições e um ambiente político marcado pela polarização, pelo revanchismo e pelo clientelismo.

Em um momento de elevada sensibilidade da economia mundial, a opção por criar ruídos diplomáticos desnecessários, adotar críticas personalistas, antecipar o debate eleitoral e promover desalinhamentos políticos com importantes países, acabou comprometendo relações bilaterais construídas ao longo de mais de dois séculos de cooperação.

As retaliações comerciais poderiam ter sido evitadas por meio de uma condução mais técnica e pragmática, como defenderam diversas entidades durante audiências públicas ao longo do último ano. Enquanto isso, temas fundamentais para o interesse nacional deixam de ser tratados com a prioridade necessária, ao passo que a pré-campanha eleitoral ocupa o centro das atenções, mesmo diante de graves desafios internos e externos que exigem respostas imediatas.

Os riscos à Nação são concretos e podem ser resumidos na possibilidade de o Brasil tornar-se um país economicamente insolvente, politicamente ingovernável e, por consequência, cada vez mais irrelevante no cenário internacional. Os sinais dessa trajetória já se acumulam e não podem ser ignorados.

Neste momento decisivo da vida nacional, parece pouco provável que soluções consistentes surjam de um ambiente político marcado por sucessivas crises. Por isso, conscientes de suas responsabilidades, de seu papel histórico e de sua tradição, os Clubes Naval, Militar e de Aeronáutica conclamam os brasileiros a refletirem sobre os grandes desafios do País com discernimento, lucidez, conhecimento e espírito público. Somente por meio do diálogo, da busca de consensos e da convergência de esforços será possível enfrentar os riscos que hoje pesam sobre a Nação e construir um futuro mais seguro e próspero para o Brasil.

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