A Embaixada da China na Argentina acusou os Estados Unidos de interferir diretamente na cooperação econômica entre Buenos Aires e empresas chinesas, denunciando o uso de sanções e cancelamentos de vistos como instrumento para bloquear parcerias comerciais.
A manifestação foi divulgada na quarta-feira (6), depois de medidas adotadas pelos Estados Unidos contra uma empresa argentina que mantém relações com a gigante chinesa Huawei.
Segundo a representação diplomática chinesa, a Embaixada dos EUA em Buenos Aires promove deliberadamente a chamada “teoria da ameaça chinesa”, amplia de forma arbitrária o conceito de segurança nacional e utiliza o cancelamento de vistos para impedir a cooperação econômica normal entre empresas argentinas e chinesas.
“A Embaixada dos Estados Unidos na Argentina promove deliberadamente a chamada ‘teoria da ameaça chinesa’, amplia o conceito de segurança nacional e, por meio da revogação de vistos, impede abertamente a cooperação normal”, afirmou a missão chinesa.
Para Pequim, a atitude representa uma afronta à soberania argentina e aos princípios do livre mercado. A Embaixada dos Estados Unidos não comentou as acusações.
Nova frente de tensão no governo Milei
O episódio aprofunda uma série de crises diplomáticas envolvendo Javier Milei, cuja política externa passou a ser marcada pelo alinhamento quase automático às posições do governo Donald Trump.
Desde que assumiu a Presidência, Milei rompeu com a tradicional política de equilíbrio adotada pela diplomacia argentina e transformou Washington em seu principal eixo estratégico, ao mesmo tempo em que endureceu o discurso contra a China, apesar de o país asiático ser o segundo maior parceiro comercial da Argentina.
As relações entre Brasília e Buenos Aires sofreram um forte desgaste após sucessivos ataques de Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, culminando no rebaixamento das relações diplomáticas entre os dois países.
Agora, o conflito se estende também à China.
Contradição econômica
As acusações surgem poucos dias depois de China e Argentina renovarem por mais cinco anos o acordo bilateral de swap cambial entre seus bancos centrais, no valor de 130 bilhões de yuans (cerca de US$ 19,3 bilhões).
O mecanismo é considerado estratégico para as reservas internacionais argentinas e ajuda o país a aliviar a escassez de dólares, fator essencial para enfrentar sua crise cambial.
A crítica de Pequim evidencia a contradição da política externa de Milei: enquanto o governo busca estreitar laços políticos com Washington, continua dependente da cooperação financeira e comercial com a China, um dos principais compradores das exportações argentinas e relevante de financiamento para a economia do país.
🇨🇳 Declaración de Portavoz de la Embajada de China en Argentina sobre la arbitraria obstrucción de la cooperación entre China y Argentina por parte de Estados Unidos pic.twitter.com/ewuaK94Bp8
— Embajada de China en Argentina (@ChinaEmbArg) August 6, 2026