A nova gestão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) reforçou as medidas de segurança de integrantes da diretoria em meio a auditorias internas e revisões de contratos realizadas na estatal. Segundo reportagem publicada neste sábado (22) pelo portal Tempo Real RJ, uma pessoa investigada em uma sindicância teria feito ameaças veladas ao presidente da companhia, Rafael Rolim, e a integrantes da nova diretoria. A identidade do investigado não foi divulgada, e o teor exato das supostas ameaças também não foi tornado público.
As apurações ocorrem dentro de um processo de revisão administrativa iniciado após a mudança no comando da Cedae. Rafael Rolim assumiu a presidência em abril e, no mês seguinte, apresentou medidas voltadas à redução de despesas, revisão de contratos e melhoria da eficiência operacional. Reportagem da Agência O Globo publicada em maio informou que a nova direção determinou corte de aproximadamente R$ 500 milhões em contratos de obras e serviços, equivalente a cerca de 25% das despesas previstas nesse segmento.
De acordo com a publicação deste sábado, diante dos relatos de ameaça, houve participação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Governo do Estado no acompanhamento da situação e no reforço das medidas destinadas à proteção dos executivos. Ainda segundo a reportagem, documentos e eventuais irregularidades identificadas durante as verificações internas podem ser encaminhados aos órgãos competentes. Caso sejam constatados indícios de ilícitos, caberá às autoridades responsáveis avaliar a abertura de procedimentos criminais ou administrativos.
Cedae contratou quatro veículos blindados
Documentos públicos da própria Cedae confirmam a contratação de quatro veículos de representação com blindagem. O Contrato nº 059/2026 foi firmado com a empresa Rei dos Blindados Locação de Veículos Ltda., por meio de adesão à Ata de Registro de Preços nº 001/2026 do GSI. O valor informado pela companhia é de R$ 1.292.800,32. A página oficial de contratos da Cedae registra prazo de 42 meses para a contratação.
A documentação oficial é especialmente relevante porque há divergência sobre o período contratual: reportagens anteriores mencionaram prazo de 36 meses, enquanto a relação de contratos atualmente disponível no site da própria estatal informa 42 meses. Por cautela, o Expresso Rio considera neste texto o dado disponibilizado oficialmente pela Cedae.
A companhia já mantinha contratos para veículos blindados antes da atual gestão. Em agosto de 2025, por exemplo, foi firmado o Contrato nº 122/2025 para locação de SUVs blindados, no valor total de R$ 1,776 milhão, com prazo inicialmente informado de 24 meses. A existência desses contratos anteriores mostra que o uso de veículos blindados não começou com as atuais auditorias, embora a nova contratação esteja sendo associada, pela estatal e por reportagens recentes, ao aumento da exposição de integrantes da diretoria e às medidas de compliance adotadas pela administração.
Até o momento, as informações disponíveis não permitem afirmar que as irregularidades investigadas tenham sido comprovadas nem que o autor das supostas ameaças tenha cometido algum crime. Sindicâncias e auditorias administrativas têm justamente a finalidade de apurar fatos e reunir elementos. Eventual responsabilização dependerá das conclusões dos procedimentos e, quando for o caso, da atuação da Controladoria, do Ministério Público, da Polícia Civil ou de outras autoridades competentes.




