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Cedae aplicou R$ 91 milhões em banco ligado a Edir Macedo mesmo após alertas de risco financeiro

Expresso Rio

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) aplicou pelo menos R$ 91,2 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Digimais, instituição financeira ligada ao empresário e líder religioso Edir Macedo. As operações ocorreram durante a gestão anterior da estatal e continuam gerando questionamentos após o agravamento da situação financeira do banco.

Os investimentos foram conduzidos pela Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI), então comandada por Antonio Carlos dos Santos, indicado para o cargo durante o governo de Cláudio Castro. Segundo documentos e relatos divulgados sobre o caso, as aplicações foram realizadas mesmo diante de sinais de deterioração financeira da instituição bancária.

Aplicações milionárias

O primeiro aporte ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae destinou R$ 35 milhões ao Banco Digimais. Posteriormente, novos investimentos elevaram o montante aplicado para R$ 91,2 milhões.

As operações chamaram atenção porque ocorreram em um momento de aumento das preocupações do mercado sobre a saúde financeira de instituições de médio porte. Parte dos recursos passou posteriormente a contar com cobertura do Fundo Garantidor de (FGC), mecanismo criado para proteger investidores em determinadas situações.

Documentos internos indicam que as aplicações foram aprovadas dentro das regras vigentes à época e passaram por instâncias de governança da companhia.

Ao longo dos meses seguintes, o Banco Digimais enfrentou sucessivos desafios financeiros. Relatórios de agências de classificação de risco apontaram deterioração dos indicadores da instituição.

Em fevereiro de 2026, integrantes do Comitê de Auditoria da Cedae manifestaram preocupação com a exposição da estatal ao banco e discutiram alternativas para realocação dos recursos em instituições com classificações de risco mais elevadas.

Posteriormente, novas avaliações de mercado resultaram em rebaixamentos da nota de da instituição financeira, ampliando os alertas sobre eventual risco de inadimplência.

Em nota, a atual administração da Cedae informou que promoveu alterações em sua Política de Aplicações Financeiras com o objetivo de fortalecer mecanismos de governança, ampliar controles internos e reduzir riscos.

A companhia também declarou que os investimentos no Banco Digimais não serão renovados e que os recursos deverão ser direcionados para instituições consideradas mais sólidas pelo mercado financeiro.

Defesa do ex-diretor

Antonio Carlos dos Santos afirma que todas as aplicações seguiram as normas internas da companhia e foram aprovadas pelos órgãos competentes.

Segundo sua manifestação, as decisões obedeceram à política de investimentos vigente na época e não sofreram interferências externas ou políticas.

O caso continua sendo acompanhado devido ao desempenho financeiro do Banco Digimais e aos impactos que eventuais dificuldades da instituição poderiam gerar para investidores públicos e privados.

Especialistas observam que a discussão também envolve critérios de governança, gestão de risco e aplicação de recursos de empresas estatais, temas que costumam receber atenção de órgãos de controle e auditoria.

A expectativa é que novos desdobramentos ocorram à medida que forem divulgados relatórios financeiros atualizados, auditorias independentes e informações sobre o resgate integral dos recursos aplicados.

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